A economia de Bento Gonçalves iniciou o ano de 2026 com resultados extremamente positivos. Impulsionada pelo excelente ritmo da safra de uvas, a geração de empregos na cidade atingiu um novo recorde na série histórica do Observatório Econômico (Oecon), organizado pelo Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG).
Entre janeiro e fevereiro, o município acumulou 1.760 novos empregos formais, sendo 892 vagas criadas apenas no segundo mês do ano. Com esse avanço, a cidade quase alcança, pela primeira vez desde o final de 2019, a marca de 52 mil trabalhadores com carteira assinada — uma variação de 3,5% em relação ao encerramento de 2025.
Destaque estadual e nacional
Os números colocam Bento Gonçalves como o sexto município com a maior geração de vagas de trabalho no Rio Grande do Sul durante o primeiro bimestre. O crescimento local foi de 48,8% em comparação ao mesmo período de 2025, um dado que contraria frontalmente o movimento de retração observado tanto no estado (-27,1%) quanto no Brasil (-37,8%).
Esse comportamento atípico e positivo fica evidente no setor do comércio. Enquanto o Brasil perdeu 50 mil vagas e o Rio Grande do Sul fechou 5,3 mil postos nos dois primeiros meses do ano, Bento Gonçalves registrou um saldo positivo de 64 vagas — um aumento de 340% em relação ao ano passado. Só os supermercados foram responsáveis por 38 novas contratações em fevereiro.
A força do agronegócio e da indústria
A safra de uvas foi o grande motor dessa alta. O setor agropecuário gerou 567 vagas em fevereiro, acumulando 990 no bimestre (um cenário muito diferente de 2025, quando o setor amargava um saldo negativo de -383 empregos). A indústria também sentiu os reflexos positivos: o segmento de bebidas preencheu 164 novas vagas nos dois primeiros meses do ano.
Além do volume de contratações, o mercado de trabalho local demonstrou maior retenção de talentos. A rotatividade de funcionários caiu de 7,6% em fevereiro de 2025 para 6,7% no mesmo mês deste ano. Em números absolutos, fevereiro de 2026 registrou 3,8 mil contratações contra 3 mil demissões.
Apesar do cenário favorável, o responsável pelo Oecon, Fabiano Larentis, projeta uma leve acomodação para o fechamento do primeiro trimestre. Com o fim do período de safra, a expectativa é que o mês de março encerre com cerca de 51,5 mil empregos formais na cidade.