O trágico acidente de avião registrado no município de Capão da Canoa, no Litoral Norte gaúcho, vitimou dois profissionais experientes da aviação civil, além do casal de empresários Luis e Débora Ortolani. O piloto do avião monomotor foi identificado como Nelio Maria Batista Pessanha, que também atuava como instrutor de voo e acumulava mais de 10 anos de experiência na profissão. Natural de Itápolis, no interior de São Paulo, ele deixa a esposa, Viviane Almeida, e os filhos gêmeos Lorenzo e Benício.
O co-piloto que o acompanhava era Renan Eduardo Saes, também morador do interior paulista e casado com a advogada Isabela Bazanelli Saes. O empresário era sócio-proprietário da Pelluzzi Aviation, companhia especializada no fretamento de voos executivos, além de atuar na compra, venda e manutenção de aeronaves. Renan também dividia a sua rotina empresarial como sócio da marca Seven Gelo. De acordo com os registros oficiais da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), a aeronave acidentada é de propriedade de Renato Eduardo Saes.
As análises preliminares de especialistas em aviação apontam para uma sequência de falhas técnicas na decolagem. Imagens do aeródromo local mostram que o piloto não utilizou a extensão total da pista, que possui 700 metros. Ao optar por decolar logo após taxiar, sem se dirigir até a cabeceira oposta, a aeronave desperdiçou entre 200 e 300 metros úteis de área para arrancada. Além disso, o piloto não teria considerado adequadamente o peso das quatro pessoas a bordo.
Sem a distância necessária para ganhar velocidade e garantir uma decolagem segura com a carga extra, o monomotor não alcançou a altitude ideal e acabou rompendo e arrancando os fios de alta tensão localizados na cabeceira da pista. O caso agora será oficialmente investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão especializado ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), que deverá emitir um laudo definitivo sobre as causas da queda.