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Cirurgia bariátrica mantém papel central no controle da obesidade
Mesmo com o avanço das canetas emagrecedoras, procedimento segue como uma das estratégias mais eficazes no tratamento da perda de peso.
26/03/2026 16h32 Atualizada há 2 horas
Por: Redação Fonte: Agência Dino
Imagem de Freepik/rawpixel.com

Nos últimos anos, o tratamento da obesidade passou por uma transformação significativa. A chegada de medicamentos modernos, como os análogos de GLP-1 e os agonistas de incretinas, popularmente conhecidos como "canetas emagrecedoras", trouxe novas perspectivas para pacientes e profissionais de saúde. Ao mesmo tempo, a cirurgia bariátrica continua desempenhando papel estratégico dentro do manejo da doença, especialmente em casos mais graves ou associados a complicações metabólicas.

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo e bariátrico, Dr. Rodrigo Barbosa, fundador do Instituto Medicina em Foco, os novos medicamentos mudaram a forma de encarar a obesidade.

"Durante muito tempo, o tratamento era baseado quase exclusivamente em dieta, atividade física e, nos casos mais graves, cirurgia. Hoje temos medicamentos modernos que atuam diretamente nos centros de saciedade do cérebro e também no metabolismo, ajudando a reduzir o apetite, melhorar o controle glicêmico e promover perda de peso em diversos pacientes", explica.

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Apesar dos avanços, o Dr. Rodrigo Barbosa ressalta que os medicamentos não substituem todas as estratégias. "Eles passaram a fazer parte de um arsenal terapêutico mais amplo. A obesidade é uma doença metabólica complexa e, em determinados perfis de pacientes, a cirurgia bariátrica continua sendo uma das abordagens mais eficazes", afirma.

O médico observa que ainda é comum ouvir que a cirurgia bariátrica seria o "último recurso", mas que essa percepção precisa ser revista. "Antes a cirurgia era indicada apenas depois de muitas tentativas frustradas de tratamento clínico. Hoje sabemos que essa lógica não faz sentido. Em pacientes com obesidade moderada ou grave associada a diabetes, hipertensão ou apneia do sono, o método promove perda de peso sustentada e melhora metabólica significativa, com redução de mortalidade e complicações cardiovasculares", destaca.

Um estudo da Universidade de Nova York, compartilhado pelo jornal Extra, reforça essa eficácia. Após dois anos, pacientes submetidos à cirurgia bariátrica perderam em média 25,7% do peso corporal, enquanto aqueles que utilizaram medicamentos apresentaram redução média de apenas 5,3%.

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No entanto, Dr. Rodrigo Barbosa reforça que ambos os métodos não devem ser vistos como concorrentes. "Os medicamentos podem ajudar muitos pacientes, especialmente em quadros leves ou moderados. Já em casos mais avançados, com IMC elevado e doenças metabólicas associadas, a cirurgia continua sendo o tratamento com maior eficácia e durabilidade", informa.

"Em muitos casos, as estratégias são complementares: alguns pacientes utilizam medicamentos antes da cirurgia para reduzir riscos operatórios ou depois, como parte do acompanhamento. O mais importante é que a decisão seja individualizada. Não existe um único tratamento ideal para todos os pacientes", acrescenta.

Além da perda de peso, o médico enfatiza que a cirurgia bariátrica pode trazer benefícios metabólicos que vão além da balança. "Após procedimentos como o bypass gástrico ou o sleeve gástrico, ocorre uma mudança importante na liberação de hormônios intestinais que regulam a saciedade, o metabolismo da glicose e a sensibilidade à insulina", pondera.

Para o especialista, o futuro do tratamento da obesidade deverá ser mais integrado. "Em vez de pensar em uma única solução, precisamos enxergar estratégias combinadas e sequenciais ao longo da vida do paciente. A cirurgia não é um fracasso, é uma ferramenta médica legítima e eficaz dentro de um plano terapêutico bem indicado", conclui.