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Paraíba supera barreiras e avança na telecirurgia robótica
Em dois dias, hospital de João Pessoa realizou três procedimentos inéditos na América, o que coloca o Brasil no mapa mundial de inovação em saúde.
25/03/2026 11h22
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Desde outubro do ano passado, já é possível realizar no Brasil uma cirurgia robótica remota com médico e paciente em cidades a quilômetros de distância. Inicialmente restritos às regiões Sul e Sudeste devido ao alto custo dos equipamentos, esses procedimentos começam a se expandir pelo país. No Nordeste, a Paraíba desponta como um novo polo em cirurgia robótica e telecirurgia, ampliando o acesso a essa tecnologia.

Na quinta (19) e na sexta-feira (20), o Hospital Alberto Urquiza Wanderley, unidade de alta complexidade que integra a rede própria da Unimed João Pessoa, realizou três telecirurgias robóticas. Segundo os especialistas envolvidos nos procedimentos, e que já estão preparando a publicação em revistas científicas para registrar o feito, uma delas é pioneira nas Américas e as outras duas são as primeiras da América Latina.

Os procedimentos conectaram João Pessoa, onde estavam os pacientes, a Curitiba, no Paraná, de onde os cirurgiões comandaram o robô da Unimed JP, a uma distância de 3.200 quilômetros. Para realizar as telecirurgias, a Unimed JP contou com o apoio da Scolla, o centro de treinamento da América Latina em procedimentos minimamente invasivos.

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Na quinta-feira, foi realizada uma revascularização do miocárdio. "Este é um marco histórico não só para a Paraíba como para o Brasil por ser também a primeira cirurgia cardíaca das Américas", afirmou o cirurgião cardiovascular Maurílio Onofre Deininger, que integrou a equipe médica que ficou no centro cirúrgico do Hospital Alberto Urquiza. Na sede da Scolla, o robô foi comandado pelo cirurgião cardiovascular Rodrigo Ribeiro de Souza.

O paciente foi o funcionário público Robson Luiz Pereira Neves, de 53 anos. Duas horas após o procedimento, ele foi extubado e se recupera bem. "Menos de 24 horas depois do fim da cirurgia, eu já andei, ‘pedalei’ e fiz alguns exercícios", disse. "Sinto que a recuperação vai vir bem mais acelerada pelo processo de robótica", declarou Robson Luiz.

Na sexta-feira, foram realizados mais dois procedimentos. Pela manhã, ocorreu a primeira telecirurgia bariátrica e, à tarde, foi realizada uma histerectomia total, que consiste na retirada do útero e do colo do útero. Os médicos explicaram que entre os benefícios da cirurgia robótica e da telecirurgia estão maior precisão e segurança, recuperação mais rápida, menos dor no pós-operatório, menor tempo de internação, menos sangramento e menor risco de infecção.

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A primeira telecirurgia robótica não experimental do Brasil ocorreu no dia 6 de outubro de 2025, com um cirurgião em São Paulo operando um paciente em Porto Alegre. Um ponto destacado pelos médicos sobre os procedimentos ocorridos em João Pessoa é que, pela primeira vez, a telecirurgia robótica foi utilizada em procedimentos de alta complexidade. De acordo com eles, esse fato coloca o Brasil na vanguarda do mapa mundial da inovação em saúde.

Para discutir o futuro da medicina, a Unimed João Pessoa realizou, quinta (19) e sexta-feira (20), no auditório do Hospital Alberto Urquiza Wanderley, o Inova Robótica. O evento debateu inovação, integração e sustentabilidade na incorporação da cirurgia robótica e da telecirurgia no Sistema Unimed. "Estamos construindo um pouco mais de história", declarou Gualter Lisboa Ramalho, presidente da Unimed João Pessoa e diretor de Mercado e Marketing da Unimed do Brasil, diretoria responsável pelo Programa Nacional de Cirurgia Robótica e Telecirurgia da Unimed.

Em outubro do ano passado, como resultado desse programa, a Unimed realizou, em caráter experimental, a primeira telecirurgia robótica do mundo com internet de baixo custo, durante um evento nacional em João Pessoa. Ramalho informou que mais de 50 cooperativas médicas já aderiram ao programa. "Nós estamos planejando a construção, aqui no Brasil, do maior polo de cirurgia digital do mundo", afirmou.

O vice-presidente da Unimed do Brasil, Paulo Faria, declarou que a instituição vem buscando liderar essa transformação digital com "responsabilidade e visão estratégica". "Evoluir não é uma escolha. É uma necessidade para que continuemos sendo relevantes", enfatizou.

O custo ainda é um ponto que pesa na avaliação para decidir pela implantação de um programa de cirurgia robótica e telecirurgia. Paulo Faria acredita que, muito em breve, essa realidade deve mudar. Ele disse que, como ocorre com qualquer tecnologia, inicialmente a inovação apresenta um custo alto, mas que tende a baratear com a evolução. "O custo ainda é elevado, mas vai entrando em um processo de maior sustentabilidade, de uma condição financeira mais adequada", comentou.

Além do investimento na aquisição do equipamento, também é necessário capacitar os médicos e toda a equipe multiprofissional. Para isso, a Unimed JP iniciou uma parceria com a Scolla, que está estruturando um polo de formação em João Pessoa para atender a todo o Nordeste. "A Unimed se posiciona como um motor de inovação", declarou Marcelo Loureiro, fundador e diretor científico da Scolla.

Loureiro destacou a importância da atualização permanente na área da saúde. "Em medicina, é preciso estar sempre um passo adiante", afirmou. Para ele, esse movimento observado na saúde suplementar acaba funcionando como uma inspiração, e até mesmo pressão, para os avanços também no setor público.

A Unimed é considerada o maior sistema cooperativo do ramo de saúde do mundo, segundo o World Cooperative Monitor (WCM), um relatório anual de referência que coleta dados econômicos, organizacionais e sociais para mapear e analisar as maiores cooperativas e organizações mútuas do planeta. Atualmente, o sistema conta com 338 cooperativas, 116 mil médicos e 20,4 milhões de clientes. Está presente em 92% do território nacional.