Um apagão atingiu Bento Gonçalves na noite do último domingo (22), provocado pela explosão de um transformador na subestação da RGE, localizada no bairro Licorsul. A ocorrência, registrada por volta das 20h, interrompeu o fornecimento de energia em diversos pontos da cidade, afetando moradores de bairros como São Francisco, Borgo, Humaitá e São Roque. Além dos transtornos domésticos causados pela falta de luz, o episódio gerou situações de risco. Para a motorista particular Lise Freisleben, o apagão resultou em uma experiência de 40 minutos de confinamento e isolamento total.
Moradora do sexto andar de um edifício no bairro Humaitá, Lise estava saindo para trabalhar no momento exato da queda de energia. Com corridas já agendadas, ela utilizava o elevador para descer até o segundo andar, onde buscaria seu veículo. "Simplesmente apagou e fiquei lá. Sem reação nenhuma", relata a motorista, que ficou presa entre os andares no instante da explosão na subestação.
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Embora tenha recebido atendimento da zeladoria pelo botão de emergência física do elevador, as condições dentro da cabine agravaram a situação. Após cerca de 20 minutos de espera, o calor intenso começou a causar sintomas físicos. "Comecei a suar porque estava muito calor. Tive alguma vertigem ali porque estava muito quente", relembra Lise, que precisou sentar no chão da cabine para evitar um mal-estar mais grave.
O momento mais crítico relatado pela moradora, no entanto, foi a impossibilidade de contato com o mundo exterior. Dentro da estrutura metálica do elevador — que atua como uma "gaiola de Faraday", bloqueando ondas eletromagnéticas —, a motorista se viu em um ponto cego de sinal de celular.
"O medo principal foi eu não conseguir me comunicar com ninguém via WhatsApp, mensagem, telefone, zero", destaca.
A motorista tentou diversas alternativas digitais sem sucesso: envio de SMS, ligações convencionais e acesso a redes sociais como Instagram e WhatsApp. "Queria pedir ajuda, avisar para buscarem as pessoas que estavam me esperando... nada. Não consegui nenhum contato", lamenta. Segundo ela, a sensação de isolamento, mesmo com um smartphone em mãos, foi a pior parte dos cerca de 40 minutos até o resgate.
Ficar retido em um elevador exige controle emocional e conhecimento sobre como agir. Especialistas e o próprio relato do incidente reforçam orientações práticas para lidar com a situação com segurança:
O botão de emergência é soberano: Nunca tente abrir as portas à força. O alarme físico da cabine é o canal de comunicação mais seguro, pois opera em um sistema independente da rede elétrica principal e de dados móveis.
Sente-se e controle a respiração: Assim como fez a motorista, sentar no chão ajuda a evitar vertigens, conserva energia e reduz o risco de quedas. Focar em respirações lentas auxilia no controle da ansiedade e diminui o consumo de oxigênio.
Uso consciente do celular: Utilize a lanterna do smartphone com moderação para não esgotar a bateria. A luz ajuda a amenizar a sensação de claustrofobia, mas o aparelho pode ser necessário caso o sinal retorne.
Atenção aos alertas sonoros: Como o sinal de celular frequentemente falha nessas estruturas, ter um apito no chaveiro pode ser uma forma analógica e eficaz de sinalizar sua presença aos vizinhos.
Cuidados no retorno da energia: Após o restabelecimento da luz, a recomendação é evitar ligar equipamentos de alta potência simultaneamente (como ar-condicionado e chuveiro elétrico) para prevenir danos causados por oscilações na rede.