Justiça Olha aí
Seis ministros do STF recebem supersalários
Levantamento da Folha de São Paulo aponta que magistrados receberam penduricalhos e verbas retroativas acima do teto. Soma chega a R$ 2,8 milhões.
23/03/2026 14h06
Por: Marcelo Dargelio

Pelo menos seis dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) receberam pagamentos que ultrapassam o teto remuneratório do funcionalismo público (atualmente em R$ 46,3 mil) enquanto já ocupavam cadeiras na corte. A situação chama atenção pois o próprio tribunal é palco de decisões recentes que tentam barrar o pagamento de "supersalários" em toda a administração pública. Fazem parte da lista os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Juntos, os adicionais recebidos desde 2019 alcançam a cifra de R$ 2,8 milhões. O levantamento foi feito pelo jornal Folha de São Paulo.

O ranking dos pagamentos

Os valores extras são, em sua maioria, justificados como "ganhos retroativos" — direitos não usufruídos no passado, como férias e folgas, em carreiras anteriores ao STF (como Ministério Público, AGU ou tribunais federais).

De acordo com o levantamento feito a partir de bases de dados oficiais do governo e do Judiciário, os recebimentos dividem-se da seguinte forma:

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Os ministros Cármen Lúcia, Edson Fachin, Dias Toffoli e Cristiano Zanin não registraram recebimento de penduricalhos no período analisado.

A contradição na Corte

O recebimento das verbas ocorre em paralelo a ações enérgicas do próprio STF contra a prática. Em fevereiro deste ano, Flávio Dino proferiu uma liminar barrando verbas acima do teto constitucional em outros órgãos. Gilmar Mendes também assinou decisão suspendendo penduricalhos estaduais para o Judiciário e o MP. Já Alexandre de Moraes determinou no início deste mês que tribunais de todo o país informem quais benefícios extras pagaram na última década.

O julgamento final no plenário sobre o tema dos supersalários está programado para a próxima quarta-feira (25). Procurados via assessoria de imprensa, os ministros citados não retornaram aos pedidos de esclarecimento.