O governador Eduardo Leite participou na tarde desta quinta-feira (12/3), em São Paulo, do evento Diálogos da Saúde, promovido pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindiHosp-SP). Em palestra seguida de debate com representantes do setor, Leite apresentou a experiência do Rio Grande do Sul na reorganização do sistema de saúde e defendeu reformas estruturais para garantir sustentabilidade às políticas públicas no país. O encontro reuniu executivos, especialistas e lideranças da área, com moderação do presidente do conselho de administração do SindHosp, Francisco Balestrin.
Durante a exposição, o governador relembrou o cenário encontrado quando assumiu o governo, com grave crise fiscal que afetava diretamente o funcionamento do sistema de saúde. À época, o Estado acumulava cerca de R$ 1,2 bilhão em dívidas com municípios, hospitais e fornecedores, o que comprometia atendimentos e o fornecimento de medicamentos. Segundo ele, a reorganização das contas públicas foi condição indispensável para recuperar a capacidade de investimento e garantir previsibilidade aos prestadores de serviço. “O Estado não conseguia sequer pagar salários em dia. Regularizar as contas foi o primeiro passo para reconstruir a capacidade de prestar serviços à população”, afirmou.
Com o reequilíbrio fiscal, o governo gaúcho retomou investimentos na rede hospitalar e ampliou programas de fortalecimento do sistema de saúde. Entre as iniciativas citadas estão o Programa Avançar, voltado à modernização da infraestrutura hospitalar, e o SUS Gaúcho, modelo de incentivo que complementa a tabela nacional do Sistema Único de Saúde com critérios ligados à qualidade e ao desempenho dos serviços. O programa destina cerca de R$ 1 bilhão para ampliar procedimentos e reduzir filas em especialidades como oftalmologia e ortopedia.
Fortalecimento da rede de saúde do Estado
Leite também destacou a estratégia de fortalecer hospitais já existentes, especialmente os filantrópicos, em vez de ampliar a rede estatal com novas estruturas. Segundo ele, o objetivo é direcionar recursos para qualificar serviços já instalados nas regiões. “Mais importante do que inaugurar prédios é fortalecer quem já atende a população, com estrutura, equipamentos e financiamento adequado”, ressaltou. O modelo permitiu ampliar a oferta de ambulatórios especializados e expandir investimentos em equipamentos e obras em dezenas de hospitais gaúchos.
Na avaliação do governador, os desafios do sistema de saúde estão ligados a transformações estruturais, como o envelhecimento da população, o aumento das doenças crônicas e o avanço tecnológico, que elevam a demanda e pressionam os custos. No Rio Grande do Sul, onde o índice de envelhecimento é o mais alto do país, quase um quinto da população já tem mais de 60 anos. Para enfrentar esse cenário, o governo do Estado tem ampliado programas voltados a públicos específicos, como a rede de atendimento à pessoa idosa, a saúde da mulher e a rede de apoio a pessoas com transtorno do espectro autista.
Reformas, planejamento e cooperação
Ao tratar do cenário nacional, Leite defendeu que o Brasil avance em reformas institucionais e fiscais para garantir sustentabilidade às políticas públicas. Segundo ele, o país enfrenta um quadro de rigidez orçamentária, com grande parte das despesas comprometidas por gastos obrigatórios, o que reduz a capacidade de investimento do Estado. Para o governador, ajustes fiscais não significam reduzir a presença do Estado, mas reorganizar o orçamento para que os recursos estejam disponíveis para áreas essenciais como saúde, educação e segurança.
Entre as mudanças defendidas pelo governador estão reformas política e administrativa, além de novos ajustes no sistema previdenciário. Ele também apontou a necessidade de aprimorar o modelo político-eleitoral, fortalecer instituições e estimular a cultura de planejamento de longo prazo no país.
“Nenhum projeto de país, seja ele mais liberal ou mais voltado à inclusão social, se constrói em quatro ou oito anos. Leva uma geração. Por isso precisamos de instituições fortes e capazes de sustentar políticas de longo prazo”, ressaltou.
Ao encerrar a participação, Leite afirmou que o Brasil precisa superar disputas personalistas e concentrar o debate público na solução de problemas estruturais. Para ele, somente com reformas, planejamento e cooperação entre governos e sociedade será possível construir um sistema de saúde sustentável e um projeto consistente de desenvolvimento para o país.
Texto: Carlos Ismael Moreira/Secom
Edição: Secom