O que deveria ser um passeio tranquilo de domingo em família transformou-se em uma cena de pânico e horror no bairro Borgo, em Bento Gonçalves. No último dia 8 de março, o morador Marcos Dinarte caminhava com sua filha, de apenas 4 anos de idade, e o cão de estimação da família, da raça Lulu da Pomerânia. O trajeto foi interrompido pelo ataque repentino de dois cães de grande porte — sendo um deles da raça Pitbull — que saíram da garagem de um edifício localizado na rua Eliseu Grasselli.
De acordo com o relato da vítima, a agressão ocorreu por falhas graves de segurança. Os animais agressores estavam sem focinheira e conseguiram se soltar das guias de contenção com facilidade. "O Pitbull virou o pescoço, fez um movimento e se soltou. A rua ali é estreita e ele veio em direção a mim, da minha filha e do cachorro", detalhou Marcos.
Em um ato de reflexo rápido, o pai conseguiu erguer a filha no colo, mas não pôde evitar que o seu animal de estimação fosse violentamente alcançado pelos cães maiores.
A brutalidade do ataque de cães foi presenciada pela criança, que entrou em estado de choque. "Eu estava tentando esconder ela, mas ela via e dizia: 'pai, estão rasgando, estão rasgando'", relembrou o morador, visivelmente abalado. A tragédia só não tomou proporções piores graças à intervenção de terceiros: uma família que passava de carro pelo local parou para retirar a criança da cena de violência e protegê-la.
Os donos dos cães agressores tentaram separar a briga, mas enfrentaram grandes dificuldades devido à força física dos animais. O pequeno Lulu da Pomerânia sofreu ferimentos devastadores. Segundo a família, o cãozinho perdeu parte dos membros e ficou "praticamente partido ao meio". Ele permanece internado em estado gravíssimo em uma clínica veterinária, com previsão de pelo menos 20 dias de hospitalização e alto risco de infecção generalizada.
O caso foi oficialmente registrado na Polícia Civil como "falta de cautela na guarda e condução de animais". Marcos enfatiza que a culpa não recai sobre o instinto do animal, mas sim sobre o manejo inadequado e irresponsável por parte dos tutores. "O culpado não é o cachorro. Ele estava sem focinheira e com uma coleira da qual se desprendeu facilmente", aponta, ressaltando que sua intenção ao denunciar o caso é conscientizar a população para que ninguém mais corra risco de morte ao caminhar pelo bairro.
Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura de Bento Gonçalves não havia respondido aos questionamentos do portal sobre como funciona a fiscalização do uso obrigatório de focinheiras em cães potencialmente perigosos na cidade.
O NB Notícias reforça que episódios como o ocorrido no bairro Borgo não são casos isolados, mas sintomas de uma perigosa falta de responsabilidade coletiva. Ter um cão de grande porte ou de raça com instinto de guarda exige o cumprimento rigoroso da lei e o respeito ao espaço público. Quando um tutor decide sair às ruas sem a focinheira ou com equipamentos de contenção frágeis, ele assume o risco de transformar um passeio em tragédia. A liberdade de passear com o pet termina onde começa o risco à integridade física do próximo, exigindo fiscalização ativa e punições exemplares por parte do poder público.