Os motoristas de Bento Gonçalves já sentem no bolso o peso do cenário internacional ao abastecerem seus veículos nesta quinta-feira (12). O preço dos combustíveis registrou uma verdadeira disparada nos postos da cidade nos últimos dias, com especial impacto para o óleo diesel, insumo essencial para o transporte de cargas e para o funcionamento da economia local.
Segundo os proprietários de postos do município, o aumento vem ocorrendo de forma escalonada desde a última quinta-feira (5), com o diesel subindo cerca de R$ 0,10 por litro a cada repasse. O salto mais expressivo, no entanto, ocorreu da noite de quarta (11) para a manhã desta quinta-feira (12), quando as distribuidoras aplicaram um repasse direto de R$ 0,25 por litro. Com isso, a média do litro do Diesel S10 em Bento Gonçalves agora varia entre R$ 6,79 e R$ 7,19.
A gasolina comum também não escapou da alta e sofreu um acréscimo de R$ 0,10, chegando a ser comercializada por até R$ 6,49 em alguns estabelecimentos da Capital do Vinho.
O encarecimento repentino nas bombas ocorre mesmo sem a Petrobras anunciar qualquer reajuste oficial nas suas refinarias. O motivo central é a intensificação da guerra no Oriente Médio, que afetou drasticamente o mercado internacional e fez o preço do barril de petróleo disparar nos últimos dias.
Embora a Petrobras mantenha sua atual política de preços (que tenta evitar o repasse de oscilações rápidas para o mercado interno), o Brasil não é autossuficiente e importa cerca de 25% de todo o diesel que consome. Com o petróleo mais caro lá fora e o custo do frete marítimo global elevado pelos riscos do conflito, o combustível importado ficou muito mais caro do que o nacional.
Como a estatal limitou a venda de cotas extras de combustível para as empresas para não operar no prejuízo, as distribuidoras precisaram recorrer ao mercado externo mais caro para garantir o abastecimento. Esse alto custo de importação está sendo repassado imediatamente da distribuidora para os donos de postos e, consequentemente, para o consumidor final. Especialistas já alertam que o encarecimento do frete rodoviário poderá gerar um grave "efeito cascata", impactando também a inflação e o preço de diversos outros produtos nas prateleiras dos supermercados.