A segunda estimativa da Safra de Verão 2025/2026 divulgada pela Emater-RS/Ascar aponta para uma produção de 32,8 toneladas de grãos no Rio Grande do Sul. Os dados foram apresentados pelo presidente da Instituição, Claudinei Baldissera, nesta terça-feira (10/3), durante o tradicional Café da Manhã com a Imprensa, realizado na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, com a presença do vice-governador Gabriel Souza.
“Os dados apresentados pela Emater mostram o impacto da estiagem na produção e a dificuldade que muitos produtores estão enfrentando. Por isso temos defendido uma solução mais ampla para o endividamento no campo, com a securitização das dívidas, para que o produtor volte a ter acesso a crédito e consiga financiar as próximas lavouras. Ao mesmo tempo, precisamos resolver o passado e preparar o futuro do agro gaúcho, ampliando a irrigação e investindo em políticas que reduzam a dependência do clima”, destacou Gabriel.
Redução de 7,1%
Conforme os dados, há projeção de uma redução de 7,1% na produção. A estimativa inicial, divulgada em agosto de 2025, calculava a produção de 35,3 milhões de toneladas. Essa redução, na análise do órgão técnico ligado ao governo do Estado, deve-se às chuvas insuficientes e irregulares, principalmente nos períodos críticos de desenvolvimento das culturas, especialmente a soja, e em algumas situações agravadas por dias muito quentes.
"Os dados, que foram apresentados a partir do levantamento da Emater, apontam uma revisão para baixo, em relação à estimativa inicial dos dados apresentados lá no início da safra, na Expointer. Se tem uma revisão, e a estimativa é de colher quase 33 milhões de toneladas em todos os grãos, é claro que tem municípios, assim como regiões, com perdas muito acentuadas, superiores a 50%. Se analisarmos, pontualmente, produtor a produtor, terá produtores para quem as perdas são muito grandes e, eventualmente, podem até inviabilizar a colheita e os prejuízos serão muito grandes", comentou o presidente Claudinei Baldissera.
O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum, lembrou que a redução da produção de grãos em relação à projeção inicial é reflexo principalmente das condições climáticas que impactaram o desenvolvimento das lavouras em diferentes regiões do Estado. “Mesmo assim, quando comparamos com o ano passado, observamos um crescimento na produção. Os números também refletem as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais, ao longo dos anos, como o endividamento. Apesar de todas as dificuldades, o uso de tecnologias e práticas adequadas de manejo são essenciais para garantir a produtividade e renda”, ressaltou Brum.
“O trabalho da Emater nos permite chegar na ponta, em cada um dos produtores rurais, com as políticas públicas e programas do Estado. Um exemplo é o Programa Milho 100%, que já alcançou cerca de 40 mil produtores em 447 municípios com a distribuição de sementes, que se reflete nas boas perspectivas para a produção de milho na safra atual. Além disso, estamos executando o maior programa de recuperação de solos da história do Rio Grande do Sul, o Operação Terra Forte, que chegará a 15 mil famílias com análise de solo, apoio para aquisição de nutrientes e acompanhamento técnico da Emater, contribuindo para aumentar a produtividade e enfrentar melhor os desafios climáticos”, acrescentou o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim.
Culturas no Estado
Na soja, a estimativa atual indica produção de 19 milhões de toneladas, redução de 11,3% frente às 21,4 milhões de toneladas projetadas inicialmente. Além da falta de chuva, fatores como a redução de 1,7% da área antes projetada, dificuldade de emergência devido às baixas temperaturas e umidade, assim como problemas de acesso ao crédito, também contribuíram para a redução.
O arroz, com área de 892 mil hectares estimada pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), deve alcançar 7,7 milhões de toneladas, volume 3,1% menor do que as 8 milhões de toneladas previstas na estimativa inicial. A queda decorre da redução da área cultivada e é estimulada pelo risco considerando o aspecto do mercado.
No feijão primeira safra, a produção passou de 46 mil toneladas para 41 mil toneladas, uma queda de 11,6%. Para o feijão segunda safra, a estimativa caiu de 16,3 mil toneladas para 11,6 mil toneladas, redução de 28,6% impulsionada pela perspectiva de estiagem, que aumenta o risco para o cultivo e também impacta o preço pago ao produtor.
Em relação à estimativa inicial divulgada em agosto de 2025, o milho grão, que representa a terceira área mais cultivada no Rio Grande do Sul, apresentou aumento na projeção. A produção passará de 5,7 milhões de toneladas para 5,9 milhões de toneladas, um crescimento de 3%. O crescimento se deve ao aumento da área cultivada com o grão, que passou de 785 mil hectares para 803 mil hectares, crescimento de 2,3%. Fatores como o acesso às políticas públicas como os programas Irriga+ RS e Milho 100% também contribuem para o aumento da área cultiva e da produção.
Já o milho silagem apresenta redução de 6,9% na produção. O maior fator se deve à área que foi reduzida em 5,7% e à produtividade que deve ficar 1,3% menor, representando 968 mil toneladas a menos. No total, o milho silagem deve produzir 13 milhões de toneladas.
Texto: Ascom Emater-RS/Ascar
Edição: Secom