Com o objetivo de pensar a educação profissional como um instrumento de transformação social, empoderamento e resgate da autoestima feminina, a Secretaria da Educação (Seduc) promoveu, neste início de março, uma formação destinada a docentes que irão atuar no Programa Mulheres Mil em unidades prisionais do Estado. O curso, realizado por meio da Superintendência da Educação Profissional (Suepro), preparou as participantes para os desafios pedagógicos e humanos do ensino em contextos de privação de liberdade.
A sequência de aulas inaugurais do Programa Mulheres Mil em estabelecimentos penitenciários gaúchos inicia-se na terça-feira (10/3), na Penitenciária Estadual de Rio Grande (Perg). O objetivo é que, após o período de privação de liberdade, as 89 mulheres já matriculadas – em um total de seis unidades prisionais –, tenham condições de inserir-se no mercado de trabalho, desenvolver atividades administrativas e empreender de forma autônoma e sustentável.
Formação
Durante a formação dos docentes, foram abordados temas como direitos humanos, gênero, trajetórias de vida das mulheres privadas de liberdade e papel da educação no processo de reconstrução de projetos de vida. A formação foi estruturada com carga horária total de 40h, divididas entre uma etapa inicial no formato presencial e encontros on-line de formação continuada e acompanhamento pedagógico.
A programação ainda incluiu atividades práticas, como rodas de conversa e depoimentos de egressas do programa, além de debates sobre maternidade, violência, estigmas e rupturas, com base nas trajetórias das estudantes atendidas pelo programa. Em parceria com a Secretaria de Sistema Penal e Socioeducativo (SSPS), foram trabalhados aspectos fundamentais do ambiente prisional – como rotinas, regras, ética e segurança.
Durante a formação, as docentes puderam conversar e pensar sobre a didática voltada para contextos de vulnerabilidade. Temas como estratégias para turmas heterogêneas, alfabetização tardia, ensino sem acesso à internet e métodos de avaliação formativa foram debatidos. A psicóloga Tallita Pinheiro foi convidada para conduzir uma conversa sobre escuta qualificada, cuidado com a saúde mental das docentes e outros desafios emocionais relacionados à atuação em unidades prisionais.
As professoras receberam ainda orientações sobre o curso de Assistente Administrativo, ofertado pelo programa, incluindo matriz curricular, competências profissionais e planejamento integrado das aulas. A etapa foi conduzida pela equipe da Suepro.
Sobre o programa
O Programa Mulheres Mil promove educação, cidadania e qualificação profissional para mulheres em situação de vulnerabilidade, contribuindo para a ampliação de oportunidades e para a construção de novos caminhos por meio da educação.
Datas e locais das aulas inaugurais
Texto: Ascom Seduc
Edição: Secom