O Cravo e a Rosa
O Cravo é uma bela flor perfumada, creio que muitos já viram essa flor, caule firme, pétalas serrilhadas e cores variadas, pode ser Vermelho do amor e paixão, Rosa da gratidão, Branco da pureza e PAZ, entre outras tantas. O cravo é uma flor inofensiva, às vezes…
A Rosa também é uma bela flor perfumada, essa acredito que todos conhecem, muitas vezes com tronco lenhoso, pétalas simples e delicadas, também de cores variadas assim como o Cravo, mas tem espinhos e machucam.
Nunca entendi por que a Rosa perfumada tem tantos espinhos, enquanto o Cravo se apresenta tão suave e delicado, coisas da natureza.
Um dia o cravo se encontrou com a Rosa, ficou inebriado com tanta beleza e perfume, lançou seu charme, tentou aproximação, não sabia dos espinhos. A Rosa foi cuidadosa, acolheu pra perto de si o belo e delicado Cravo. Viveram em harmonia por vários anos, lado a lado no jardim, a Rosa, o Cravo e os botões que sempre se renovavam em cores e perfumes…
Depois de algum tempo a Rosa passou a se destacar, mais imponente, mais colorida, mais vistosa, tudo era mais… O Cravo se sentiu diminuído, o Cravo passou a criar regras, o Cravo passou a se impor, o Cravo cravejou a relação, até então harmoniosa, de ciúmes e desconfiança, o Cravo criou impasses, o Cravo tolheu a liberdade da Rosa, o Cravo convenceu o jardim de que havia espaços onde a Rosa podia ir e onde ela não podia, o Cravo venceu, não pelo medo ou pela força, mas pelas ideias que ele impôs no jardim.
Agora, se me perguntarem:
E a ROSA???
A Rosa aguardou o tempo certo — como fazem as flores que conhecem o ciclo das estações, a Rosa soube se moldar, mas a Rosa não esmoreceu, a Rosa não desistiu, a Rosa sobreviveu, a Rosa é espinhuda e sabe o momento de usá-los.
Num dia belíssimo de sol e céu azul primaveril a Rosa olhou ao seu redor, a Rosa viu o desbotado, sem alegria, sem vivacidade, a Rosa viu que era o momento de buscar a harmonia, de soltar as amarras, de tomar os lugares que já haviam sido compartilhados e a Rosa foi a luta, voltou a ocupar o jardim, abriu espaço entre os ramos e deixou que todos encontrassem sol, sem imposição, sem medo, mas com afeto, cores e perfumes… Na manhã seguinte, o jardim amanheceu diferente.
A Rosa recriou e mostrou para o mundo um jardim sintonizado com a beleza da criação, não era novidade, era o retorno dos tempos de PAZ.
Os movimentos são cíclicos, o Cravo não aceitou, o Cravo cravejou, agora não com sentimentos, mas com espinhos de dor, de medo, espinhos que sangram, espinhos que estraçalham, deixando coberto o jardim de pétalas vermelhas regadas com orvalhos de lágrimas.
O jardim já teve primaveras suaves com amor, PAZ, harmonia…, que alguns até podem ter esquecido. Mas todos têm sua beleza, sua cor, seu perfume, a união das diferenças é que fazem do jardim um espetáculo de beleza.
Ficam as súplicas...
Que os Cravos não endureçam...
Que as Rosas não voltem a sangrar.