O Brasil volta a enfrentar os impactos devastadores de eventos climáticos extremos. O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou, nesta terça-feira (24), que as fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata deixaram um saldo trágico de pelo menos 22 pessoas mortas até o momento.
A maior parte das vítimas fatais (16 mortes) foi registrada no município de Juiz de Fora. A corporação também confirmou o óbito de outras seis pessoas na cidade de Ubá, localizada a cerca de 110 quilômetros de distância. Segundo a gestão municipal de Juiz de Fora, as equipes de resgate seguem nas ruas nas buscas por desaparecidos, tendo registrado, até o momento, 251 ocorrências relacionadas ao temporal.
Diante do cenário de destruição, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT-MG), anunciou a decretação de estado de calamidade pública na madrugada desta terça-feira. “Quem tentou andar pela cidade hoje sabe que os bairros estão ilhados”, declarou a prefeita.
A Defesa Civil estima que 440 pessoas estejam desabrigadas no município. O volume de água impressiona: de acordo com a prefeitura, até segunda-feira (23) já havia chovido mais que o dobro do volume esperado para todo o mês, tornando este o fevereiro mais chuvoso de toda a história de Juiz de Fora. Apenas no bairro Nossa Senhora de Lourdes, foram registrados 186,1 milímetros de chuva em um único dia.
A força da água causou o caos na infraestrutura urbana. O Rio Paraibuna subiu 65 centímetros em apenas 30 minutos e transbordou em diferentes pontos da cidade. Como consequência, vias cruciais como a Ponte Vermelha e o mergulhão da Avenida Barão do Rio Branco, no centro, precisaram ser totalmente bloqueadas.
O balanço da tragédia inclui ainda dezenas de deslizamentos de terra, queda de árvores, o transbordamento de três córregos e o desabamento de duas edificações. Como medida de segurança, as aulas foram suspensas em todas as instituições da rede municipal de ensino nesta terça-feira.
A Prefeitura de Juiz de Fora já acionou o apoio das esferas estadual e nacional da Defesa Civil. A recomendação das autoridades locais é de que os moradores evitem sair de casa para não se exporem a riscos desnecessários enquanto a cidade tenta se reerguer.