Economia Negócios
Habitação popular e luxo impulsionam mercado imobiliário
Levantamento aponta que, enquanto a habitação popular sustenta recordes de volume, o segmento de luxo foca na valorização patrimonial e na demanda ...
19/02/2026 16h08
Por: Redação Fonte: Agência Dino

O mercado imobiliário brasileiro consolida em 2026 uma dinâmica de crescimento dividida entre o volume recorde da habitação popular e a valorização estratégica do segmento de luxo. Enquanto os programas habitacionais impulsionam o número de unidades lançadas em todo o país, o setor de alto padrão concentra-se na rentabilidade patrimonial e no atendimento a uma demanda reprimida por ativos de alta exclusividade.

Entre os meses de janeiro e outubro de 2025, o programa habitacional do Governo Federal, operacionalizado pela CAIXA, registrou um aumento de 8,6% nas vendas e 34,6% de unidades lançadas, em comparação com o mesmo período de 2024. Com o novo reajuste para o teto de compras de imóveis das faixas 1 e 2 no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), válido já a partir deste ano (2026), a expectativa é de manutenção deste crescimento. Além da correção, o mercado aguarda os impactos da nova "Faixa 4" do programa habitacional (MCMV Classe Média), que financia imóveis de até R$ 500 mil, ampliando o público elegível.

"Isso [criação da Faixa 4] abre demanda por produtos de padrão médio, potencialmente aumentando a velocidade de vendas e a liquidez desses estoques, devido aos prazos mais longos e taxas de juros inferiores às praticadas fora do programa", afirma Lucas Gaspar, CMO da Construtora Ideal, especializada em empreendimentos imobiliários que se enquadram no programa Minha Casa, Minha Vida.

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Gaspar também avalia os reajustes para o teto de compras de imóveis das faixas 1 e 2, que ajudam a preservar o poder de compra dos beneficiários frente à inflação e aos movimentos de renda, reduzindo a erosão do programa no curto prazo.

"No efeito agregado, isso [reajustes no teto] tende a sustentar parte do crescimento já observado em 2025, porque mais famílias estarão habilitadas a financiar imóveis e incorporadores têm sinal claro para continuar lançando produtos voltados às faixas populares e intermediárias", complementa o CMO da construtora, que atua na capital paulista e Região Metropolitana.

Expansão popular e recalibragem no alto padrão Enquanto o MCMV apresenta crescimento, o segmento de Médio e Alto Padrão (MAP) vive um cenário de ajustes. Apesar do aumento no Valor Geral de Vendas (VGV) de 42,5%, houve uma queda de cerca de 17,9% no número de unidades vendidas, tendo os juros elevados como um dos principais fatores. "Lançamento é decisão de longo prazo, ou seja, landbank comprado antes, projetos já aprovados e cronogramas de obra. Com juros altos, o incorporador migra para produtos com tíquete maior, o que eleva o VGV mesmo com menos unidades e vendas mais lentas," avalia Douglas Curi, CEO da Sort Investimentos, imobiliária boutique especializada em imóveis para investimento no litoral catarinense.

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Douglas ainda ressalta que a expectativa para 2026 é de normalização gradual com perspectiva de ampliação do crédito, especialmente com a baixa da Selic. Segundo ele, isso faz com que o cenário futuro continue positivo, com valorização acima da inflação, e determinadas regiões em destaque, como é o caso do Sul do país.

"O Sul, especialmente polos litorâneos, tende a capturar esse fluxo quando entrega produto ‘irreplicável’ [bairro, vista, segurança, serviços]. O resultado é um mercado mais desconectado da média nacional", analisa o CEO da Sort Investimentos.

O VGV da parte sul do Brasil tem crescido muito, com o estado de Santa Catarina encabeçando este movimento, especialmente sua capital. Florianópolis registrou um aumento de 91% no Valor Geral de Vendas entre 2024 e 2025, subindo para a 4ª colocação das cidades com maior VGV do país. Este avanço é impulsionado, sobretudo, pelo segmento de Médio e Alto Padrão no estado.

O CEO da Sort reforça que o investimento no MAP do Sul do país é menos dependente de financiamento massificado e mais guiado por exclusividade e qualidade do estoque. "Esse comprador não 'some' com juros altos: ele troca de critério. Compra onde há escassez real de terrenos e alta rentabilidade, qualidade de vida, segurança, infraestrutura urbana e liquidez histórica. Esses ativos protegem o patrimônio e reduzem o risco de desvalorização", diz.

O movimento observado indica uma segmentação cada vez mais clara do mercado imobiliário brasileiro, com dinâmicas distintas entre habitação popular e alto padrão, exigindo estratégias específicas de financiamento, precificação e posicionamento por parte das empresas do setor.