Região Em nome de Deus?
Padre é preso pela Polícia Civil após missa na Serra Gaúcha
Religioso de 56 anos foi condenado por estupro no Norte do país e tinha sido “transferido” para o Rio Grande do sul.
19/02/2026 10h12 Atualizada há 2 horas
Por: Marcelo Dargelio
Padre foi capturado após a saída dos fiéis da igreja - Foto: Meramente ilustrativa/Gerada por IA

Um padre de 56 anos foi preso na noite desta quarta-feira (18) no município de São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha. A prisão foi efetuada pela Polícia Civil, que cumpriu um mandado de prisão condenatória expedido pela Justiça do estado de Rondônia.

O religioso foi condenado pelo crime de estupro de vulnerável, processo que tramitou no sistema judiciário rondoniense. A captura ocorreu logo após o padre concluir a celebração de uma missa na cidade, que teve início às 19h.

Abordagem e Sigilo

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Segundo a delegada responsável pela operação, Fernanda Aranha, a ação policial aguardou o fim da cerimônia. Os policiais efetuaram a prisão apenas após os fiéis já terem deixado as dependências da paróquia, evitando tumulto no local. A corporação informou que o processo corre sob rigoroso segredo de justiça no Norte do país. Em nota, a Polícia Civil gaúcha "reafirmou seu compromisso com o cumprimento das decisões judiciais e com a proteção da sociedade".

Reflexão: Até quando a transferência de padres será escudo?

O episódio registrado na Serra Gaúcha reacende um debate doloroso, mas urgente: até quando as instituições religiosas, por meio de suas dioceses, continuarão usando a transferência geográfica como ferramenta para abafar escândalos e proteger clérigos que cometem crimes sexuais?

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É um padrão histórico e alarmante observar padres investigados, ou até mesmo já condenados, sendo retirados de suas paróquias de origem e realocados em regiões diametralmente opostas do país — neste caso, cruzando o Brasil de Rondônia até o interior do Rio Grande do Sul. Essa prática, frequentemente adotada com o objetivo de evitar a exposição do escândalo e dificultar a prisão, não apenas zomba da Justiça, como também coloca novas comunidades e fiéis inocentes em risco de conviverem com abusadores sob a farda da fé. O silêncio institucional, nestes casos, deixa de ser apenas omissão e flerta com a cumplicidade.