A sessão da Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves desta quarta-feira, 18, promete ser marcada por polêmica. A partir das 15h, os parlamentares devem votar um projeto que concede um reajuste expressivo de 42,94% para os cargos de subprefeito no município.
A proposta altera a classificação desses Cargos de Confiança (CCs), que deixarão o nível CC9 para serem enquadrados como CC12. Na prática, a mudança representa um aumento real de mais de R$ 2.500,00 nos vencimentos mensais. O salário, que atualmente é de R$ 6.134,69, saltará para R$ 8.769,20.
A medida gerou forte reação por parte dos representantes do funcionalismo público municipal. Neilene Lunelli, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bento Gonçalves (Sindiserp-BG), teceu duras críticas à prioridade dada pelo Executivo e Legislativo aos cargos políticos.
​"O reajuste é um tapa na cara do servidor público", declarou Neilene.
A presidente do sindicato contrasta a generosidade do aumento para os subprefeitos com a realidade arrochada dos servidores de carreira. Segundo ela, a categoria amarga dois anos sem reajuste no vale-alimentação, valor que, segundo a liderança sindical, "hoje mal paga o almoço do funcionário".
Além da defasagem no benefício de alimentação, o Sindiserp-BG aponta que, há 14 anos, os servidores municipais recebem apenas a reposição da inflação, sem ganhos reais nos salários, diferentemente do que está sendo proposto agora para os cargos de indicação política.
A expectativa nos bastidores é de que o projeto seja aprovado, dada a composição da Câmara. Neilene Lunelli questiona a postura dos legisladores diante da disparidade dos valores.
"Será que os vereadores terão coragem de aprovar um aumento de quase 43% para um cargo político? Como a maioria obedece às ordens do prefeito, isso deve acontecer, com certeza", lamentou a presidente.