O dia 14 de fevereiro de 2026 ficará marcado para sempre na história do esporte nacional. Em sua décima participação em Jogos Olímpicos de Inverno, o Brasil não apenas subiu ao pódio pela primeira vez, como o fez no lugar mais alto. Lucas Pinheiro Braathen conquistou a medalha de ouro no Slalom Gigante, em Bormio, na Itália.
Aos 25 anos, o atleta nascido na Noruega e filho de mãe brasileira dominou a prova, superando as potências tradicionais da modalidade e quebrando um tabu que perdurava desde a estreia do país nos jogos de inverno, em 1992.
Braathen chegou a Milão-Cortina como um dos favoritos, mas precisava superar o atual número um do mundo, o suíço Marco Odermatt. E ele não deu chances ao rival.
Na primeira descida, Lucas foi agressivo e técnico, cravando o tempo de 1min13s92, abrindo uma vantagem confortável de quase um segundo (0.95s). Na segunda descida, precisou apenas administrar a diferença. Com um tempo total combinado de 2min25s00, ele cruzou a linha de chegada 0.58s à frente de Odermatt, que ficou com a prata. O bronze foi para outro suíço, Loic Meillard.
"Eu sacrifiquei tanto ao ousar trilhar meu próprio caminho. Isso custou tudo, mas terminamos no topo. Sou muito grato ao Brasil por me apoiar dia após dia desde que comecei a representar o país", declarou Braathen, emocionado, logo após a vitória.
A conquista tem um sabor de redenção. Lucas competia pela Noruega até 2023, quando anunciou uma aposentadoria precoce por divergências com a federação local. Em 2024, decidiu retornar ao esporte, desta vez defendendo as cores do Brasil, a terra de sua mãe.
Até hoje, o melhor resultado do país havia sido o 9º lugar de Isabel Clark no snowboard cross, em Turim-2006. O ouro de Braathen não só pulveriza essa marca, como coloca o Brasil no mapa de elite dos esportes de neve.
A festa pode não ter acabado. Lucas Pinheiro Braathen volta às pistas na próxima segunda-feira (16) para a disputa do Slalom (sua especialidade técnica), onde também é cotado para medalha.