Rio Grande do Sul Investigação
Clínica é interditada e três são presos após morte de paciente
Relatos indicam que os internos eram submetidos a torturas que incluíam agressões físicas com pedaços de pau e disparos de chumbinho.
13/02/2026 16h09 Atualizada há 3 horas
Por: Marcelo Dargelio
Polícia investiga se homem de 45 anos foi morto vítima de tortura - Foto: Gherusa Cassol/Agência RBS

O que deveria ser um local de cura e recuperação se transformou em cenário de crime no município de Estação, no Norte do Rio Grande do Sul. Na manhã de sexta-feira (13), a Polícia Civil deflagrou a Operação Tripalium e prendeu preventivamente três pessoas ligadas à Clínica Reviver: a proprietária e dois monitores (um deles, companheiro da dona).

O trio é investigado pela morte de Marcos Bohn Nedel, de 45 anos, ocorrida em 29 de janeiro. O caso é tratado pelas autoridades como tortura com resultado morte.

"Método Disciplinar" era a Tortura

A clínica, inaugurada há apenas quatro meses na Vila Navegantes, entrou na mira da polícia após dois pacientes conseguirem fugir e pedirem socorro à Brigada Militar. Eles relataram rotinas de violência física e psicológica usadas como forma de "disciplina".

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O nome da operação, Tripalium, faz referência a um antigo instrumento de tortura romano, ilustrando o ambiente encontrado pelos agentes.

Cenário de Horror

Ao chegar ao local, a polícia encontrou 31 pacientes homens internados. Segundo o delegado Jorge Fracraro Pierezan, muitos estavam em "condições degradantes". Parte deles passará por exame de corpo de delito para comprovar as agressões.

A Justiça determinou a interdição imediata do estabelecimento. Apesar de estar com o alvará vencido, a clínica não era clandestina e chegava a receber pacientes via ordem judicial (internação compulsória).

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"A clínica atualmente está com o alvará vencido, mas não se trata de uma clínica clandestina. Era um local que recebia, inclusive, presos com ordem judicial", explicou o delegado.

Destino dos Pacientes

Com o fechamento do local, a Prefeitura de Estação prestou apoio no acolhimento. Três pacientes que estavam lá por ordem judicial (compulsória) serão transferidos para outras instituições. Os demais, após serem ouvidos, devem retornar para suas famílias.

A Polícia Civil segue investigando a possível conexão da clínica com uma rede que atua em Santa Catarina, também suspeita de irregularidades.