Brasil Investigação
Relatório da PF aponta mensagens sobre pagamentos a empresa de Toffoli
Documento entregue a Edson Fachin traz diálogos entre dono do banco e cunhado sobre transferências para a empresa Maridt, da qual o ministro é sócio.
12/02/2026 10h24
Por: Marcelo Dargelio
Avanços na investigação da PF colocam o ministro do STF mais perto do Banco Master - Fotos: Reprodução/Especial NB

Um relatório da Polícia Federal (PF), entregue ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, colocou em xeque a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria de processos envolvendo o Banco Master. O documento aponta vínculos financeiros e sociais entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo a PF, mensagens interceptadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel (que atuava como gerente financeiro e chegou a ser detido), discutem explicitamente pagamentos para a empresa Maridt. A Maridt tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli.

O teor das mensagens

Nos diálogos analisados pelos investigadores, o banqueiro e o cunhado citam o nome do magistrado e combinam as transferências financeiras.

Continua após a publicidade

O relatório também identificou trocas de mensagens diretas entre Toffoli e Vorcaro. Segundo fontes que tiveram acesso ao documento, essas conversas não tratam de negócios ou valores, limitando-se a agendamentos de encontros sociais. Há também menções a festas e confraternizações que teriam a presença de outras autoridades.

Diante dos fatos, a PF sustenta que Toffoli é suspeito para continuar relatando o processo contra o banco. Fachin já notificou o ministro para apresentar explicações e compartilhou o conteúdo com os demais integrantes da Corte.

A Explicação de Toffoli: O Caso Tayayá

Pela primeira vez, o ministro detalhou seu envolvimento com o Resort Tayayá e a relação com o grupo do Banco Master. A interlocutores do STF, Toffoli admitiu ter recebido recursos da Maridt, mas defendeu a legalidade das transações.

Continua após a publicidade

Segundo a explicação do ministro:

  1. Sociedade Familiar: Toffoli afirma ser sócio da Maridt há anos. A empresa é uma Sociedade Anônima (S.A.) de capital fechado, motivo pelo qual seu nome não aparece em consultas públicas (apenas o de seus irmãos, que são administradores).

  2. Venda do Resort: A Maridt detinha 33% do resort Tayayá. Em 2021, essa participação foi vendida para o fundo Arleen, que integra uma teia empresarial controlada por Daniel Vorcaro.

  3. Legalidade: O ministro sustenta que a operação foi lícita, com lucro para o fundo comprador, e que todas as transferências foram declaradas à Receita Federal, com origem e destino rastreáveis.

  4. Contexto: Na época da venda (2021), Vorcaro não era alvo de investigações policiais e era visto como um banqueiro em ascensão.

Defesa de Imparcialidade

Para rebater a tese de suspeição levantada pela PF, Toffoli argumentou que sua atuação no processo tem sido rigorosa. Ele destacou que deferiu todos os pedidos feitos pela Polícia Federal contra Vorcaro, incluindo novas ordens de busca e apreensão nas investigações que apuram irregularidades na gestão do Banco Master.