Em meio a momentos de dor e despedida, 70 famílias decidiram transformar o luto em esperança dentro do Hospital Tacchini em 2025. A instituição divulgou o balanço das doações de órgãos realizadas no último ano, destacando um número expressivo que ajudou a salvar ou melhorar a qualidade de vida de dezenas de pessoas.
Ao todo, a Comissão Intra-Hospitalar para Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) viabilizou a captação de 70 órgãos.
O destaque absoluto foi a doação de córneas, totalizando 66 captações. Este tipo de transplante é fundamental, pois permite reverter quadros de cegueira e restaurar a visão de pacientes que aguardam na fila, devolvendo-lhes a autonomia. Além das córneas, também foram captados 2 rins e 2 fígados, órgãos vitais para a sobrevivência dos receptores.
Todos os órgãos foram destinados a pacientes compatíveis cadastrados na Central de Transplantes do Estado, seguindo rigorosos critérios de prioridade e urgência.
A doação só é possível após um protocolo de segurança extremamente rígido. O primeiro passo é a confirmação da morte encefálica, que exige a realização de dois exames clínicos e um exame de imagem, feitos em intervalos de tempo diferentes para garantir precisão total.
Somente após essa confirmação técnica é que entra o fator humano: a autorização da família.
Segundo a enfermeira responsável pelo CIHDOTT, Ana Turmina, o acolhimento aos familiares é a etapa mais delicada e importante. "Após a confirmação da morte encefálica, iniciamos um momento de acolhimento e diálogo com a família, sempre com muito respeito e sensibilidade", explica.
Com o "sim" da família, inicia-se uma corrida contra o tempo para que a equipe médica realize a captação e o órgão chegue saudável ao receptor.