Se a Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves esperava apoio popular para o ano de 2026 — marcado pela construção de uma nova sede de quase R$ 30 milhões —, a resposta das ruas é um banho de água fria.
Uma enquete realizada pelo NB Notícias, encerrada nesta segunda-feira (02), desenhou um cenário preocupante para a classe política local: a população está desacreditada.
A pergunta foi simples: "O que você espera dos vereadores de Bento Gonçalves para 2026?"
O resultado é um recado duro. De todos os participantes, 70,55% (1206 votos) escolheram a opção mais pessimista:
"Não dá pra esperar nada, é sempre a mesma coisa todos os anos".
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O dado reflete o desgaste da imagem do Legislativo, agravado recentemente por polêmicas envolvendo gastos elevados, falta de transparência em aditivos contratuais e a postura de embate da Mesa Diretora em não trazer à tona detalhes do elefante branco que está construindo.
A enquete, porém, traz uma nuance importante. O eleitor não está cego. A segunda opção mais votada, com 26,51% (453 votos), foi:
"Apenas uns dois ou três parlamentares fazem alguma coisa, o restante faz só figuração".
Esse número mostra que a comunidade consegue distinguir quem trabalha de quem apenas ocupa a cadeira. Há um reconhecimento de que existe uma minoria ativa e fiscalizadora, mas que ela é sufocada pela inércia da maioria. Os poucos vereadores que demonstram ter uma atuação comunitária, muitas vezes são ofuscados justamente por fazer o certo, que é auxiliar na resolução dos problemas apontados pela comunidade.
O dado mais alarmante para a Casa do Povo, no entanto, é o do otimismo. Apenas 29 pessoas (1,7%) votaram na opção "Acredito que eles farão um bom trabalho pela nossa comunidade". Outras 22 pessoas (1,29%) disseram não terem opinião sobre o fato.
Numericamente, o resultado mostra que o Legislativo de Bento Gonçalves entra em 2026 com uma crise de legitimidade para resolver. Resta saber se os vereadores ouvirão o recado das urnas virtuais ou se continuarão acreditando, como disse o presidente da Casa na tribuna, que as críticas só existem por falta de verba publicitária.