Paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) anunciaram a descoberta de uma nova espécie de réptil, identificada a partir de um crânio de 9,5 mm encontrado em Novo Cabrais, na Região Central do Rio Grande do Sul. O estudo foi publicado na última quarta-feira (28) na revista Scientific Reports.
O exemplar, batizado de Sauropia macrorhinus, pertence ao grupo dos procolofonídeos e é considerado o menor tetrápode já registrado no período Triássico, que ocorreu entre 251 e 201 milhões de anos atrás na América do Sul. De acordo com os pesquisadores, o animal apresentava narinas grandes e dentes pontudos, sugerindo um hábito predatório voltado para pequenos invertebrados.
A preparação do material foi realizada com extremo cuidado, utilizando lupas e agulhas para evitar danos. Tomografias e modelos 3D foram empregados para analisar o crânio sem a necessidade de manuseio direto, oferecendo uma visão detalhada da estrutura interna, incluindo a região do palato e a dentição. Segundo os paleontólogos, o nome "Sauropia" combina o termo grego sauros ("lagarto") com a palavra regional "piá", que se refere a uma criança no Sul do Brasil. Já "macrorhinus" faz referência ao tamanho das narinas em comparação ao corpo.
Embora o Sauropia macrorhinus tenha semelhanças com lagartos, ele pertence a uma linhagem distinta de répteis, os pararépteres, que estão completamente extintos. A descoberta contribui para o entendimento da diversidade paleontológica do Triássico e sua relevância na história evolutiva dos vertebrados.