Bento Gonçalves recebeu R$ 2.703.001 por meio das chamadas Emendas PIX, modalidade de transferência especial de recursos federais que permite o repasse direto de verbas indicadas por deputados federais aos cofres municipais. Apesar do volume recebido, não foi informado oficialmente em que os valores foram aplicados, o que levanta questionamentos sobre transparência e planejamento do uso dos recursos públicos. Os números são do Portal da Transparência do Governo Federal.
O montante destinado à Capital do Vinho representa apenas 0,7% dos R$ 386,6 milhões distribuídos por deputados gaúchos nessa modalidade — um percentual considerado baixo para um município do porte e da relevância econômica de Bento Gonçalves.
Conhecida popularmente como Emenda PIX, a modalidade é tecnicamente chamada de transferência especial. Nela, o dinheiro sai da União e vai diretamente para a conta do município, sem necessidade de convênio ou vínculo prévio com um projeto específico.
Na prática, o valor é depositado como uma transferência bancária comum — daí o apelido “PIX”. O município tem autonomia para aplicar os recursos em áreas como saúde, educação, infraestrutura ou custeio da máquina pública. Em contrapartida, a legislação exige prestação de contas posterior aos órgãos de controle.
Especialistas apontam que o modelo traz agilidade, mas também aumenta a responsabilidade dos gestores municipais quanto à transparência na aplicação dos recursos.
Sete parlamentares destinaram recursos a Bento Gonçalves por esse formato:
Lucas Redecker (PSDB) — R$ 544.500
Any Ortiz (Cidadania) — R$ 495.000
Maurício Marcon (PL) — R$ 475.501
Covatti Filho (PP) — R$ 396.000
Daniel Trzeciak (PSDB) — R$ 396.000
Carlos Gomes (Republicanos) — R$ 198.000
Marcelo Moraes (PL) — R$ 198.000
Um dos fatores que ajuda a explicar o valor reduzido é a ausência de um deputado federal eleito por Bento Gonçalves. Sem representação direta em Brasília, o município depende da articulação política junto a parlamentares de outras bases eleitorais, o que reduz sua competitividade na disputa por recursos.
O contraste aparece quando se observa outras cidades da Serra Gaúcha:
Caxias do Sul — R$ 10,1 milhões
Farroupilha — R$ 3.564.000
Veranópolis — R$ 1.980.000
Garibaldi — R$ 1.188.000
Santa Tereza — R$ 1.138.500
Os números indicam que Bento Gonçalves tem margem para melhorar sua articulação política, especialmente considerando seu peso econômico e populacional na região.
Também chama a atenção a lista de parlamentares gaúchos que não enviaram Emendas PIX para Bento: Pompeu de Mattos, Alceu Moreira, Franciane Bayer, Luis Carlos Busatto, Danrlei Hinterholz, Bibo Nunes, Sanderson, Giovani Cherini, Pedro Westphalen, Zucco, Afonso Motta, Marcio Biolchi, Osmar Terra, Reginete Bispo, Heitor Schuh, Alexandre Lindenmeyer, Bohn Gass, Marcel Van Hatem, Maria do Rosário e Denise Pessoa.
O dado gera questionamentos, especialmente no caso de deputados com presença política ou apoio eleitoral na região.
A ausência de informações detalhadas sobre a aplicação dos R$ 2,7 milhões reforça a importância de prestação de contas clara à população. Embora a Emenda PIX dê autonomia aos municípios, o controle social e a fiscalização seguem sendo essenciais para garantir que os recursos públicos resultem em benefícios concretos à comunidade.
O cenário evidencia um desafio político e administrativo para Bento Gonçalves: ampliar a captação de recursos federais e dar maior visibilidade à aplicação dos valores recebidos.