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Taxas de maquininha de cartão: o que todo vendedor precisa saber
Saiba o que são essas taxas, por que elas existem.
25/01/2026 13h15 Atualizada há 57 minutos
Por: Marcelo Dargelio

Se você é autônomo, pequeno empreendedor ou dono de um comércio local, aceitar cartão como forma de pagamento é praticamente indispensável nos dias de hoje. O consumidor brasileiro está cada vez mais habituado a pagar no crédito ou no débito, e perder uma venda por não oferecer essa opção pode significar prejuízo. Mas antes de escolher sua maquininha de cartão, é fundamental entender como funcionam as taxas cobradas por esse tipo de serviço. Afinal, elas impactam diretamente no seu lucro final.

Neste guia, vamos explicar em detalhes o que são essas taxas, por que elas existem, quais são os tipos mais comuns e como fazer uma escolha inteligente para o seu negócio. Saber interpretar essas cobranças pode fazer toda a diferença no fim do mês.

O que são as taxas cobradas pelas maquininhas?

Toda vez que você realiza uma venda no cartão, seja no débito ou no crédito, uma pequena porcentagem do valor transacionado é descontada como taxa. Esse valor é dividido entre diferentes participantes do sistema: a empresa da maquininha, a bandeira do cartão (como Visa ou Mastercard), o banco emissor do cartão do cliente, e outras partes envolvidas na operação financeira.

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Essas taxas são a remuneração pelos serviços prestados: processamento do pagamento, segurança da operação, antecipação de recebíveis, entre outros. É como um “custo para vender no cartão” e varia conforme o tipo de operação.

Principais tipos de taxas que o vendedor deve conhecer

Taxa de débito

A taxa de débito é cobrada quando o cliente paga com cartão na função débito. Em geral, essa é a modalidade com menor custo para o vendedor, com taxas que variam entre 1,3% e 2,5%. O recebimento costuma ser mais rápido — algumas empresas oferecem o saldo em 1 dia útil, outras em até 2 dias.

Esse tipo de transação é ideal para vendas de menor valor, compras rápidas ou clientes que não querem parcelar.

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Taxa de crédito à vista

Quando o pagamento é feito no crédito à vista, a taxa já é um pouco mais elevada. Ela costuma ficar entre 3,0% e 5,0%, dependendo da empresa e do prazo de recebimento escolhido. Isso ocorre porque há mais intermediários na operação e maior risco envolvido.

O vendedor pode optar por receber o valor em 30 dias (com menor taxa) ou antecipar esse pagamento (com taxas maiores). Entender essa diferença é essencial para equilibrar o fluxo de caixa do negócio.

Taxa de crédito parcelado

Esse é o tipo de operação com maior taxa envolvida, principalmente se o lojista optar por assumir os custos do parcelamento. Quando o cliente paga parcelado, o valor total da venda é repassado à vista para o vendedor, que arca com a taxa da transação + os encargos do parcelamento.

As taxas podem ultrapassar os 6% dependendo do número de parcelas. E ainda há a opção de “parcelamento com juros para o cliente”, onde o comprador assume parte ou todos os encargos.

 

Como funcionam os prazos de recebimento

Além do valor das taxas, outro ponto crucial é o prazo de recebimento. Cada empresa oferece opções diferentes:

  • Recebimento imediato (ou em 1 dia útil): com taxas mais altas, mas ideal para quem precisa de dinheiro em caixa rapidamente.
  • Recebimento em 14 dias: opção intermediária, com taxas mais equilibradas.
  • Recebimento em 30 dias: a taxa costuma ser a menor, ideal para quem tem um bom controle financeiro.

É importante destacar que o prazo escolhido impacta diretamente nas taxas cobradas. Quanto mais rápido o dinheiro cair na conta, maior será o desconto aplicado.

Maquininha com taxa zero existe?

Você já deve ter visto anúncios prometendo “taxa zero” em maquininhas, mas é importante ter atenção. Em geral, essas ofertas são por tempo limitado — como 3 meses de isenção para novos clientes — ou são compensadas de outras formas, como taxas fixas mensais, exigência de faturamento mínimo ou cobranças em outros serviços.

Nenhuma empresa consegue operar sem custo, portanto é essencial ler as letras miúdas antes de aderir a uma proposta aparentemente vantajosa. O ideal é sempre calcular o custo total no longo prazo, considerando o seu perfil de vendas.

Dicas para escolher a maquininha com melhor custo-benefício

A melhor escolha nem sempre é a que oferece a menor taxa em um único aspecto. O vendedor deve considerar o conjunto de fatores:

1. Volume de vendas mensal

Quem vende mais pode negociar melhores condições com a operadora da maquininha. Algumas empresas oferecem planos com taxas diferenciadas para quem fatura acima de determinados valores. Se você tem um fluxo constante de vendas, use isso como argumento.

2. Tipo de venda mais comum

Você faz mais vendas no débito, no crédito à vista ou no parcelado? Essa informação é vital para identificar qual empresa oferece a melhor condição para seu tipo de transação mais frequente.

3. Necessidade de antecipação

Se você depende do dinheiro da venda no mesmo dia ou em poucos dias, precisa aceitar taxas maiores por esse benefício. Nesse caso, vale comparar as taxas de recebimento em 1 ou 2 dias úteis.

4. Custo do equipamento

Algumas empresas oferecem maquininhas gratuitas, outras cobram aluguel ou venda do aparelho. Leve esse custo em consideração, principalmente se estiver começando.

5. Atendimento e suporte

Problemas acontecem, e contar com um suporte eficiente pode evitar prejuízos. Avalie a reputação da empresa, os canais de atendimento disponíveis e a facilidade de resolução de dúvidas.

Vantagens de trabalhar com pagamento por cartão

Mesmo com as taxas envolvidas, aceitar cartão continua sendo uma excelente estratégia para quem quer aumentar suas vendas e atrair mais clientes. Veja alguns benefícios:

  • Segurança: Menor movimentação de dinheiro em espécie reduz risco de assaltos ou perdas.
  • Comodidade: Facilita o pagamento para o cliente, que pode escolher a forma e prazo que preferir.
  • Maior ticket médio: Estudos mostram que quem paga no cartão tende a gastar mais.
  • Organização: O extrato das vendas ajuda no controle financeiro e na gestão do negócio.

Além disso, quem oferece diferentes formas de pagamento transmite mais profissionalismo e confiança ao consumidor, aumentando as chances de fidelização.

Como simular e comparar taxas antes de escolher

Antes de adquirir uma maquininha de cartão, vale a pena utilizar comparadores online ou simuladores de taxas. Muitas empresas disponibilizam essas ferramentas em seus sites, permitindo que você visualize o valor real que receberá após cada venda.

Faça simulações com diferentes prazos de recebimento, bandeiras de cartão e quantidades de parcelas. Isso vai ajudar você a ter uma visão clara do que é mais vantajoso para o seu tipo de operação.

Fique atento às mudanças e atualizações

O mercado de pagamentos está em constante transformação. Novas tecnologias, formas de pagamento e concorrência entre empresas fazem com que as condições e taxas mudem com frequência. Por isso, fique atento às comunicações da empresa que fornece sua maquininha, compare com concorrentes e não tenha medo de mudar se encontrar uma opção mais vantajosa.

A fidelidade deve ser com o seu bolso e com a saúde financeira do seu negócio.