Rio Grande do Sul Violência sem fim
Mulher é morta pelo companheiro a facadas na frente das filhas
Vítima tinha 30 anos e deixa uma filha de 13 anos e outra de 9 meses. Criminoso fugiu do local.
24/01/2026 11h46 Atualizada há 4 meses
Por: Marcelo Dargelio
Karizele de Oliveira Sena tinha 30 anos e deixa duas filhas - Isaías Rheinheimer/GES/Especial

Mais uma mulher foi vítima de feminicídio no Rio Grande do Sul. Karizele de Oliveira Sena, de 30 anos, foi morta a facadas na madrugada deste sábado (24), em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O crime ocorreu dentro da residência da vítima, onde ela estava com as duas filhas, uma adolescente de 13 anos e um bebê de apenas 9 meses.

De acordo com a Brigada Militar, o principal suspeito do homicídio é o companheiro da vítima, um homem de 31 anos, que teria fugido do local antes da chegada das autoridades. A arma utilizada no crime, uma faca, foi localizada dentro da casa.

Vizinhos relataram fuga e pedido de socorro

Uma vizinha, de 41 anos, que morava ao lado da residência e mantinha contato diário com Karizele, relatou que cruzou com o autor do crime logo após o ataque. Segundo o relato, o homem fugia a pé, em direção à Avenida Primeiro de Março.

“A menina já estava aqui fora quando ele passou e disse: ‘vai lá ver o que eu fiz com ela’”, contou a testemunha.

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A vizinha correu até a casa e encontrou Karizele caída na sala, gravemente ferida e agonizando. O socorro e a polícia foram acionados imediatamente. No entanto, quando equipes da Brigada Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegaram ao local, a vítima já estava morta.

Oito facadas e histórico de violência

Conforme a Polícia Civil, Karizele foi atingida por oito golpes de faca. O local foi isolado para a realização de perícia, e o caso passou a ser investigado pela Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo.

Moradores da região afirmaram que as brigas entre o casal eram recorrentes e teriam se intensificado nos últimos meses. Segundo uma das vizinhas, os conflitos eram motivados, principalmente, por ciúmes. “Ele tinha um ciúme possessivo”, relatou.

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Outro depoimento foi prestado por um vizinho de 17 anos, que afirmou que as discussões começaram ainda durante uma festa. De acordo com ele, o casal chegou a ser retirado do local após uma briga e retornou para casa. Já na residência, os conflitos continuaram.

O jovem relatou ainda que, por volta das 4h, o homem teria agredido Karizele com uma cabeçada, fazendo com que ela sangrasse. Em seguida, a vítima teria ido para o quarto e se deitado.

Minutos depois, conforme o relato, o agressor saiu de casa e, ao retornar, estava armado com uma faca. Ele teria atacado Karizele na frente das filhas, desferindo golpes no peito, na região do coração e no abdômen.

Suspeito já era investigado

Segundo a polícia, o companheiro de Karizele já havia sido investigado em 2024 por uma suposta agressão contra a mulher. As circunstâncias da fuga e o paradeiro do suspeito seguem sendo apurados.

O crime reforça o alerta para a violência doméstica e o feminicídio, que continuam fazendo vítimas no Estado. O caso se soma a uma série de ocorrências registradas no Rio Grande do Sul e reacende o debate sobre a necessidade de medidas efetivas de proteção às mulheres, especialmente aquelas que vivem em situação de risco dentro do próprio lar.

Violência doméstica é crime. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180 e 190, que funciona 24 horas, de forma gratuita e sigilosa.