Brasil Deu ruim
Gaúcha é presa ao cuspir em atendente e pedir delegado branco na Bahia
Caso aconteceu em Salvador e repercutiu nacionalmente nesta semana.
23/01/2026 11h40 Atualizada há 4 horas
Por: Marcelo Dargelio

A gaúcha Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi presa em flagrante em Salvador (BA) após cuspir e fazer ofensas de cunho racista contra uma atendente/comerciante no Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana. Segundo a Polícia Civil da Bahia, o caso foi registrado como injúria racial, crime previsto no Código Penal. A prisão ocorreu após a vítima acionar autoridades e testemunhas relatarem os insultos. Gisele foi conduzida à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin)

Cuspe e insultos no Centro Histórico

Conforme apuração divulgada pelas autoridades, a agressão teria ocorrido em um ponto de comércio no Pelourinho — um dos locais turísticos mais movimentados de Salvador. Além das palavras ofensivas, a suspeita teria chamado a atendente de lixo e cuspido na vítima, comportamento descrito como parte do ataque.

A comerciante prestou depoimento e o caso foi encaminhado à delegacia especializada responsável por crimes de racismo e intolerância. 

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Discriminação continuou dentro da delegacia

Segundo a Polícia Civil, a conduta discriminatória não teria terminado com a prisão. Já na delegacia, Gisele Madrid Spencer Cesar teria exigido ser atendida “apenas por um delegado de pele branca”, repetindo o comportamento preconceituoso em ambiente policial — informação que também consta nos registros oficiais divulgados pela corporação. 

A Polícia Civil informou que vítima e testemunhas foram ouvidas, e que a turista permaneceu custodiada, ficando à disposição do Poder Judiciário.

O que é injúria racial

A injúria racial ocorre quando uma pessoa ofende a dignidade de outra utilizando elementos relacionados a raça, cor, etnia, religião ou origem. A legislação prevê pena de reclusão e multa, podendo haver agravantes conforme o contexto do crime e as circunstâncias da agressão.

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Prisão foi recebida com surpresa

Natural de Porto Alegre, Gisele se apresenta nas redes sociais como uma criadora de conteúdo voltado para viajantes. Ela está em Salvador há cerca de uma semana e, em suas postagens, compartilha experiências de viagem, incluindo fotos com baianas e integrantes do Afoxé Filhos de Gandhy, considerado Patrimônio Cultural da Bahia. Conhecidos da mulher afirmaram acreditar em sua inocência, ressaltando seu envolvimento com a cultura local e a prática de religião de matriz africana.

O caso gerou repercussão nas redes sociais e levantou discussões sobre a necessidade de combate ao racismo e à intolerância em eventos culturais. As autoridades continuam a investigar o incidente e a coletar depoimentos sobre o ocorrido.