A cidade de Ijuí, no Noroeste do Rio Grande do Sul, entrou no centro de uma polêmica que ganhou repercussão estadual após a Câmara de Vereadores aprovar um reajuste nos salários do prefeito, vice-prefeito, secretários e parlamentares. Com a nova legislação, o prefeito Andrei Cossetin Sczmanski (PP) passará a receber R$ 37.404,00 por mês, valor que supera o salário do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), atualmente em R$ 35.462,22.
A decisão foi promulgada nesta semana e está prevista para entrar em vigor já no próximo mês. A votação terminou com 10 votos favoráveis e 5 contrários, o que intensificou críticas e gerou revolta entre moradores, especialmente nas redes sociais, onde parte da população classificou o aumento como “descolado da realidade” e “um deboche” diante das dificuldades enfrentadas por famílias e serviços públicos essenciais.
Além do prefeito, a medida fixa novos valores para os demais agentes políticos do município:
Vice-prefeito e secretários: passam para R$ 18.702,00
Vereadores: passam a receber R$ 12.468,00
A justificativa apresentada pela Câmara é de que o reajuste seria uma correção inflacionária, sem representar aumento real, seguindo critérios legais estabelecidos em legislação anterior.
No entanto, para muitos moradores, o argumento não se sustenta diante do impacto simbólico: um prefeito de uma cidade com cerca de 84 mil habitantes receber mais do que o governador do Estado.
A controvérsia não começou agora. Em 2023, os vereadores já haviam aprovado outro aumento que elevou o salário do prefeito de R$ 25 mil para R$ 36 mil, valor que já ultrapassava o vencimento do governador.
Agora, com o novo reajuste, o subsídio chega aos R$ 37,4 mil, consolidando uma distorção salarial que revolta parte da comunidade.
A Constituição Federal permite que o salário de um prefeito seja superior ao de um governador, desde que respeite o teto do serviço público nacional — atualmente fixado em R$ 46.366,19, valor pago a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ou seja: o aumento é legal, mas o problema é político, social e moral para muitos cidadãos.
A aprovação do reajuste ocorreu em meio a críticas sobre prioridades administrativas e gastos públicos. Moradores questionam se o aumento salarial era necessário neste momento e apontam demandas acumuladas, como melhorias em saúde, infraestrutura urbana e atendimento público.
Nas redes sociais, internautas citam “falta de sensibilidade” e “privilégios” como principais críticas ao reajuste. Para muitos, o episódio reforça o distanciamento entre as decisões do poder público e a realidade financeira da maioria dos trabalhadores.
Com a repercussão crescendo, a medida deve seguir sendo discutida tanto no ambiente político quanto pela sociedade civil, ampliando o debate sobre salários no serviço público, transparência e critérios de reajuste para agentes políticos.
A polêmica em Ijuí reacende uma discussão recorrente no Rio Grande do Sul: até que ponto o que é legal também é aceitável do ponto de vista social — especialmente quando a comparação coloca um prefeito com salário acima do chefe do Executivo estadual.