Política Ganhando bem
Prefeito de Ijuí tem salário maior que o de Governador do Estado
Câmara aprovou aumento para prefeito, vice, secretários e vereadores; novo subsídio do chefe do Executivo chega a R$ 37,4 mil.
22/01/2026 13h44 Atualizada há 11 horas
Por: Marcelo Dargelio
Salário do prefeito Andrei Cossetin  Sczmanski passou de R$ 36 mil para R$ 37,4 mil - Foto: Prefeitura de Ijuí/Especial

A cidade de Ijuí, no Noroeste do Rio Grande do Sul, entrou no centro de uma polêmica que ganhou repercussão estadual após a Câmara de Vereadores aprovar um reajuste nos salários do prefeito, vice-prefeito, secretários e parlamentares. Com a nova legislação, o prefeito Andrei Cossetin  Sczmanski (PP) passará a receber R$ 37.404,00 por mês, valor que supera o salário do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), atualmente em R$ 35.462,22.

A decisão foi promulgada nesta semana e está prevista para entrar em vigor já no próximo mês. A votação terminou com 10 votos favoráveis e 5 contrários, o que intensificou críticas e gerou revolta entre moradores, especialmente nas redes sociais, onde parte da população classificou o aumento como “descolado da realidade” e “um deboche” diante das dificuldades enfrentadas por famílias e serviços públicos essenciais.

Reajuste será aplicado também ao vice, secretários e vereadores

Além do prefeito, a medida fixa novos valores para os demais agentes políticos do município:

Continua após a publicidade

A justificativa apresentada pela Câmara é de que o reajuste seria uma correção inflacionária, sem representar aumento real, seguindo critérios legais estabelecidos em legislação anterior.

Continua após a publicidade

No entanto, para muitos moradores, o argumento não se sustenta diante do impacto simbólico: um prefeito de uma cidade com cerca de 84 mil habitantes receber mais do que o governador do Estado.

Salário do prefeito já era maior que o do governador

A controvérsia não começou agora. Em 2023, os vereadores já haviam aprovado outro aumento que elevou o salário do prefeito de R$ 25 mil para R$ 36 mil, valor que já ultrapassava o vencimento do governador.

Agora, com o novo reajuste, o subsídio chega aos R$ 37,4 mil, consolidando uma distorção salarial que revolta parte da comunidade.

O que diz a lei: é permitido, mas não é bem aceito

A Constituição Federal permite que o salário de um prefeito seja superior ao de um governador, desde que respeite o teto do serviço público nacional — atualmente fixado em R$ 46.366,19, valor pago a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ou seja: o aumento é legal, mas o problema é político, social e moral para muitos cidadãos.

População reage e debate toma conta das redes

A aprovação do reajuste ocorreu em meio a críticas sobre prioridades administrativas e gastos públicos. Moradores questionam se o aumento salarial era necessário neste momento e apontam demandas acumuladas, como melhorias em saúde, infraestrutura urbana e atendimento público.

Nas redes sociais, internautas citam “falta de sensibilidade” e “privilégios” como principais críticas ao reajuste. Para muitos, o episódio reforça o distanciamento entre as decisões do poder público e a realidade financeira da maioria dos trabalhadores.

Debate deve continuar

Com a repercussão crescendo, a medida deve seguir sendo discutida tanto no ambiente político quanto pela sociedade civil, ampliando o debate sobre salários no serviço público, transparência e critérios de reajuste para agentes políticos.

A polêmica em Ijuí reacende uma discussão recorrente no Rio Grande do Sul: até que ponto o que é legal também é aceitável do ponto de vista social — especialmente quando a comparação coloca um prefeito com salário acima do chefe do Executivo estadual.