Um grupo de estudantes do ensino médio de Porto Alegre (RS) apresentou uma inovação que pode contribuir para transformar o diagnóstico precoce do câncer de pele. Aos 17 anos, Fernanda Gib e Arthur Duval desenvolveram um dispositivo chamado SkinScan, que utiliza inteligência artificial para analisar lesões cutâneas e indicar, em poucos segundos, se há suspeita de malignidade.
O aparelho, com cerca de 500 gramas, foi produzido com auxílio de uma impressora 3D e reúne componentes como lente, bateria, tela sensível ao toque e placa computacional. A proposta é oferecer uma ferramenta rápida para avaliação inicial, especialmente em locais com menor acesso a especialistas.
O projeto teve início no Colégio João Paulo I e já rendeu reconhecimento à dupla: o SkinScan foi premiado na Mostratec, considerada a maior mostra de ciência e tecnologia da América Latina.
Segundo os idealizadores, o SkinScan realiza uma análise rápida ao capturar 12 imagens da lesão e, em cerca de dois segundos, emitir um alerta informando se o material deve ser considerado suspeito. A IA do dispositivo foi treinada com um banco de dados de mais de 10 mil imagens, incluindo lesões benignas e malignas.
Apesar do potencial, a tecnologia ainda não foi autorizada para testes em humanos. Atualmente, o funcionamento está restrito à avaliação de imagens, etapa considerada fundamental antes do avanço para validações clínicas.
O professor Giovane Irribaren de Mello, coordenador do Laboratório de Robótica do JPSul e coorientador da iniciativa, ressalta que o objetivo não é substituir profissionais da saúde.
“A ferramenta não pretende substituir o médico, mas atuar como um recurso de triagem e apoio, contribuindo para o diagnóstico precoce”, destaca.
O Ministério da Saúde aponta que o câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil. Quando identificado no início, as chances de cura superam 90%. No Rio Grande do Sul, historicamente, os índices de incidência costumam ser elevados, o que torna ainda mais relevante o desenvolvimento de recursos que acelerem a detecção.
Atualmente, a equipe afirma estar em conversas com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, buscando parcerias para ampliar o projeto e futuramente viabilizar novas etapas de testes e aprimoramento da tecnologia.