A Brigada Militar do Rio Grande do Sul afastou 18 policiais envolvidos em uma operação que terminou com a morte do agricultor Marcos Nornberg, de 48 anos, baleado dentro da própria residência durante uma ação policial em Pelotas, no Sul do Estado. O caso, que gerou forte repercussão, está sendo investigado por diferentes órgãos e levanta questionamentos sobre protocolos de abordagem, checagem de informações e responsabilização.
A operação foi deflagrada a partir de uma denúncia que, posteriormente, se revelou inconsistente: a propriedade rural teria sido apontada como suposto ponto de armazenamento de armas e veículos roubados. No entanto, segundo as apurações iniciais, nada disso foi confirmado.
O comandante-geral da Brigada Militar, coronel Cláudio Feoli, afirmou que a ocorrência foi resultado de um “grande mal-entendido”. Segundo ele, os policiais chegaram ao local acreditando que estariam diante de criminosos armados, enquanto o agricultor teria interpretado a movimentação como uma tentativa de assalto.
De acordo com Feoli, a atuação foi motivada por informações consideradas precisas e urgentes, repassadas pela Polícia Militar do Paraná. Contudo, o conteúdo da denúncia não se confirmou na prática.
Após a operação, as armas utilizadas pelos agentes foram apreendidas e a Brigada Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias da ação, identificar responsabilidades e verificar se houve falhas operacionais no planejamento da abordagem.
Além do procedimento interno, a Polícia Civil também abriu investigação própria. O delegado César Nogueira declarou que a corporação não tinha conhecimento prévio sobre a operação e destacou que o número de viaturas e policiais mobilizados foi “incomum”.
As informações que embasaram a operação teriam sido fornecidas por dois homens presos no Paraná, que apontaram a área rural como um possível centro de armazenamento de itens ilícitos. Entretanto, segundo o comandante Feoli, não foram localizadas provas que sustentassem as alegações.
A única arma encontrada, ainda conforme a BM, teria sido a utilizada pelo agricultor no momento da abordagem.
A repercussão do caso é intensa e, conforme informado, a família da vítima deverá prestar depoimento a partir de segunda-feira (19). O episódio mobiliza a comunidade local e aumenta a pressão por esclarecimentos, diante da gravidade da ocorrência e da morte de um civil.
A tragédia expõe um ponto sensível: operações de alto risco deflagradas com base em informações externas precisam seguir protocolos de checagem, planejamento e coordenação entre forças de segurança — especialmente quando envolvem grande mobilização, potencial confronto e ingresso em propriedades privadas.
O caso de Pelotas passa a ser tratado como um marco crítico, com repercussão política e institucional, e reforça o debate sobre abordagem policial, uso proporcional da força e prevenção de tragédias decorrentes de falhas de comunicação e validação de denúncias.