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Governança comercial entra na pauta das empresas B2B
Governança comercial ganha espaço nas empresas B2B diante do uso intensivo de dados, IA e novas regulações, exigindo mais controle, previsibilidade...
16/01/2026 22h05
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Tradicionalmente associadas a áreas como finanças, jurídico e auditoria, as práticas de governança e compliance passaram a ganhar espaço também nas áreas comerciais. Em um cenário de negociações mais complexas, múltiplos decisores, uso intensivo de dados e crescimento do uso de inteligência artificial, a venda deixa de ser apenas uma função operacional e passa a representar um risco estratégico para as empresas B2B, principalmente as que atuam com clientes enterprise.

Com o avanço de tecnologias como inteligência artificial, analytics e big data em vendas, o papel das equipes comerciais muda, exigindo maior disciplina, previsibilidade e governança de dados de clientes e processos. A governança eficaz de dados é peça-chave nesse novo cenário. Estima-se que o tamanho do mercado global de governança de dados deve crescer de cerca de US$ 5,29 bilhões em 2025 para aproximadamente US$ 50,23 bilhões até 2034.

Além disso, o uso de dados pessoais e empresariais no processo comercial tornou-se um fator regulatório relevante em muitas jurisdições. No Brasil, por exemplo, a LGPD impõe obrigações específicas de tratamento de dados em CRM e processos comerciais, com multas que podem chegar a 2% do faturamento da empresa, limitadas a R$ 50 milhões por infração, o que transforma governança e compliance em imperativos para vendas confiáveis.

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Para Matheus Pagani, CEO da Ploomes, essa evolução representa uma mudança estrutural no papel da área comercial. "Vendas deixou de ser um território baseado apenas em relacionamento e intuição. Hoje, cada proposta, desconto ou exceção precisa estar conectada a regras claras, dados confiáveis e responsabilidade compartilhada", afirma.

Pagani explica que, em um contexto em que múltiplas áreas e sistemas alimentam decisões comerciais, a ausência de governança pode resultar em inconsistências, retrabalho e decisões de venda que não refletem a estratégia corporativa. "Sem uma rotina de governança, dados com qualidade desigual circulam entre times, prejudicando a visão do cliente e a performance do comercial", completa.

Inteligência artificial impulsiona a governança

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A adoção de ferramentas de inteligência artificial tem potencializado a tomada de decisão, mas também aumenta a necessidade de critérios claros de uso e supervisão humana. De acordo com a AllAboutAI, cerca de 78% das organizações usam IA em pelo menos uma função, mas apenas 25% têm programas completos de governança de IA implementados, o que indica uma lacuna de 53 pontos percentuais entre adoção e governança.

"IA amplia a capacidade de decisão, mas também exige critérios, limites e visibilidade. Governança comercial não é sobre travar vendas, e sim sobre garantir que elas cresçam com consistência, segurança e alinhamento com a estratégia da empresa", explica Pagani.

De acordo com a mesma pesquisa, 80–85% das empresas usarão algum tipo de governança de IA até 2030, com 50% alcançando níveis mais avançados de maturidade.

O novo papel da governança comercial

O fortalecimento da governança comercial está alinhado com as tendências mais amplas de digitalização e maturidade do mercado B2B. Organizações que conseguem integrar dados de CRM, vendas, marketing e operações de pós-venda reduzem silos internos e melhoram a comunicação entre áreas, acelerando decisões e elevando a eficiência comercial. Como mostra o relatório sobre transformação digital em CRM: 80% das organizações que utilizam sistemas CRM baseados em nuvem relataram melhora na colaboração entre departamentos.

Para Matheus Pagani, enquanto a governança tradicional focava na mitigação de riscos financeiros e jurídicos, a governança comercial passou a ser vista como um elemento essencial para garantir crescimento sustentável e vantagem competitiva em ambientes cada vez mais digitais e orientados por dados.

"Em suma, a entrada da governança comercial na pauta estratégica das empresas indica não apenas um ajuste tático, mas sim uma mudança profunda na forma como negócios B2B abordam vendas, dados e tecnologia, um movimento que, deve se tornar a base de operações comerciais de alta performance daqui para frente" finaliza o executivo.

Sobre a Ploomes

A Ploomes é uma empresa de CRM especializada em vendas B2B, que desenvolve soluções para gestão comercial, automação de processos, criação de propostas e integração com ERPs. Com o propósito de simplificar a rotina de gestores e times de vendas, a empresa atende indústrias, empresas de tecnologia e prestadores de serviços em todo o Brasil.