Economia Negócios
Alta no aluguel atrai investidores para renda recorrente
Considerados como proteção ao patrimônio contra oscilações de mercado, imóveis agora ampliam competitividade financeira
16/01/2026 13h41
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Investidores no mercado imobiliário receberam, logo após a virada para 2026, pelo menos duas notícias que confirmam o avanço do segmento como opção de investimentos para o ano que se inicia.

A primeira notícia veio do Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), medido pela FGV. Ele apontou alta média de 8,85% no valor dos aluguéis no Brasil no acumulado de 2025, superando a inflação. O Índice FipeZap trouxe a segunda notícia, apontando alta média de 6,52% no valor de imóveis usados também no ano passado (com ganho real de 2,24% acima da inflação).

"Esses dois indicadores confirmaram uma virada de expectativas sobre o segmento imobiliário em relação ao que se projetava no início de 2025. Diante da alta na taxa básica de juros, a Selic, previa-se que a dificuldade de acesso ao crédito frearia avanços no setor. Mas o que vimos agora é um novo impulso", comenta Igor Melro, direto comercial da Porte Engenharia e Urbanismo.

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A alta nos aluguéis aponta para uma recomposição de valores que ultrapassa a variação do IGP-M, índice mais usado no reajuste dos contratos e que foi negativo em 1,05% no acumulado de 2025. Rio de Janeiro (+12,11%), Belo Horizonte (+11,27%) e São Paulo (+9,48%) foram as capitais com altas mais expressivas nos aluguéis nos últimos 12 meses.

Já o FipeZap apontou que 2025 apresentou a segunda maior alta no valor dos imóveis nos últimos 11 anos, perdendo apenas para 2024 (considerado um ano atípico para o setor). O índice mede os resultados em 56 cidades. Em dezembro, o valor médio do metro quadrado construído no Brasil foi de R$ 9,6 mil, segundo a mesma pesquisa.

O Índice Geral do Mercado Imobiliário (IGMI-R), medido pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), aponta que o aumento no preço médio de imóveis residenciais havia sido de 17,14% até novembro de 2025, no acumulado de 12 meses.

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Para Igor Melro, da Porte, os investidores devem levar em conta esses dois indicadores de forma conjunta porque eles apontam tanto para a proteção do patrimônio dos proprietários, quanto para o ganho financeiro real de quem aposta na renda recorrente de aluguéis.

"Na Porte, trabalhamos com ciência de dados tanto para a projeção de empreendimentos como para a oferta de soluções financeiras a investidores, orientando sobre momentos e perfis de locação de imóveis, além de apontar perspectivas de valorização conforme a relação entre oferta e demanda em diferentes regiões de São Paulo", avalia Melro. É diante do equilíbrio de estoque de imóveis e volume de vendas que o diretor comercial da Porte enxerga oportunidades.

Para ele, a demanda represada de compradores que deixaram de financiar um imóvel em um cenário de Selic alta deve começar a ser aliviada em função das políticas de financiamento habitacional do governo federal, como o lançamento da faixa 4 do Programa Minha Casa, Minha Vida. Também o novo modelo de crédito imobiliário, que permite até 80% de financiamento pelas regras do Sistema Financeiro da Habitação, foi lançado no último trimestre de 2025 para alcançar a classe média. Juntas, essas iniciativas ajudam a reduzir o estoque de imóveis à venda, podendo pressionar ainda mais o valor do metro quadrado.

"Quem comprou o imóvel na planta há alguns anos já está colhendo resultados significativos. Quem comprou para investir em renda recorrente via aluguel também está alcançando rendimentos superiores a muitas opções do mercado financeiro", compara Melro. "Regiões que ainda possuem pouca oferta de imóveis tendem a ganhar atenção de investidores diante de uma valorização potencial mais alta nesse jogo do mercado, como nos bairros do Leste de São Paulo".