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NRF 2026 mostra que varejo vive momento de consolidação de tendências
Integrantes da Federação Varejista do RS estiveram na maior feira mundial do varejo que ocorreu entre os dias 11 e 13 de janeiro, em Nova Iorque.
16/01/2026 10h31
Por: Marcelo Dargelio
Ricardo Bartz, Ivonei Pioner e Marcos Carbone estiveram na NRF 2026 - Foto: Arquivo Pessoal/Especial

A Federação Varejista do Rio Grande do Sul retorna da NRF Retail’s Big Show 2026, realizada entre os dias 11 e 13 de janeiro, em Nova Iorque, com uma avaliação clara: o varejo global vive um momento de consolidação definitiva de tendências que já deixaram de ser promessa futura e passaram a ser parte do presente.

Considerada a maior feira de varejo do mundo, a NRF reafirmou que o setor não opera mais em “duas frentes”. Segundo a comitiva gaúcha, não existe mais separação entre varejo físico e varejo digital — existe apenas varejo, impulsionado por tecnologia, guiado por dados e centrado em pessoas.

Inteligência artificial no varejo: “A IA deixou de ser hype”

Para o presidente da entidade, Ivonei Pioner, o grande destaque desta edição foi o amadurecimento definitivo da inteligência artificial (IA) como ferramenta estratégica, acessível e aplicável em todos os níveis do setor.

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“A IA deixou de ser hype. Ela está embutida nas operações, no marketing, na gestão e, principalmente, na relação com o cliente. Quem não tiver tecnologia integrada ao seu negócio terá dificuldade de prosperar”, avalia.

Segundo Pioner, um símbolo desse novo momento foi o lançamento do conceito de Agentic Commerce, anunciado globalmente durante a NRF pelo Google, com foco em automação inteligente, personalização e atendimento orientado por dados.

“A IA vem para ajudar a humanizar mais ainda a nossa relação, a termos dados cada vez mais precisos e a fazer uma relação com o cliente muito mais fluida”, reforça.

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Tecnologia como meio — e pessoas como prioridade

Outro ponto recorrente na feira foi a centralidade do fator humano. A tecnologia surge, segundo os executivos, como ferramenta para liberar tempo e energia para aquilo que efetivamente gera valor: relacionamento, confiança e experiência do cliente.

Para o vice-presidente da entidade, Marcos Carbone, a mudança é cultural e estratégica.

“A IA chega para agilizar processos, ser agente de venda, pesquisador, assistente. E a pessoa passa a ser criadora de vínculo, construtora de confiança e de memórias”, destaca.

Geração Z no centro das decisões do varejo

A presença e o comportamento da Geração Z também foram centrais nas discussões da NRF. Mais do que um novo perfil consumidor, trata-se de uma geração que quer pertencer, participar e cocriar.

Cases apresentados na feira mostraram empresas que envolvem jovens clientes em etapas como desenvolvimento de produtos, curadoria de experiências e definição de tendências.

Para Ricardo Bartz, diretor de crescimento e expansão da Federação, a mensagem é objetiva:

“Se não fizer sentido para essa geração, não haverá negócio. Eles precisam se reconhecer na marca, na causa e na experiência.”

Omnichannel: fim da disputa entre loja física e digital

Outro consenso do evento foi a consolidação das estratégias omnichannel, com integração total entre os canais de venda. A leitura apresentada na NRF é de que:

Em Nova Iorque, estratégias como lojas com cafeterias, microeventos, experiências sensoriais e comunidades de marca foram apresentadas como caminhos eficazes para aumentar o tempo de permanência do cliente e, consequentemente, o ticket médio.

Tendências que podem ser aplicadas no varejo gaúcho

A Federação avalia que grande parte das práticas observadas já pode ser replicada no varejo do Rio Grande do Sul, inclusive em pequenos e médios negócios. Com ferramentas cada vez mais acessíveis, a barreira tecnológica diminui — e o desafio passa a ser cultural: começar, testar e adaptar.

Iniciativas como a CDL IA reforçam essa visão: a tecnologia não é exclusividade de grandes players, mas exige preparo e mentalidade de transformação.

Mercado de trabalho: diferença entre Brasil e EUA chamou atenção

Um contraste percebido pela comitiva foi a questão da mão de obra. Diferentemente do Brasil, o tema da escassez de profissionais não apareceu como problema nos Estados Unidos.

A presença de jovens motivados, preparados e engajados em operações varejistas reforçou a avaliação de que os desafios brasileiros são mais estruturais — envolvendo fatores culturais, educacionais e organizacionais.

Federação reforça papel de conexão com tendências globais

Ao participar da NRF 2026, a Federação Varejista do RS reforça seu papel como agente de transformação do comércio, conectando o varejo gaúcho às tendências mais relevantes do cenário internacional.

“Nosso compromisso é trazer esse conhecimento, provocar reflexões e apoiar o desenvolvimento sustentável dos negócios gaúchos. O futuro do varejo pertence a quem souber unir tecnologia com pessoas”, conclui Ivonei Pioner.