Motoristas de Bento Gonçalves começaram o ano enfrentando um novo reajuste no preço do litro da gasolina nos postos de combustíveis da cidade. A partir desta sexta-feira, 2 de janeiro de 2026, proprietários de estabelecimentos locais já têm ajustado os valores cobrados, com aumento médio entre R$ 0,10 e R$ 0,20 por litro, conforme levantamento de preços no mercado regional.
A elevação acompanha um movimento nacional de reajuste nos combustíveis, impulsionado principalmente por mudanças tributárias e na composição do próprio combustível. Especialistas e representantes de postos explicam que dois fatores foram determinantes para o novo patamar de preços nas bombas: a maior alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o aumento da proporção de álcool anidro na gasolina — ambos com impacto direto no custo final ao consumidor.
Uma das principais causas do aumento é o reajuste na alíquota do ICMS sobre os combustíveis, que passou a vigorar com força tributária maior a partir do início de 2026. O imposto estadual, cobrado por litro, incide diretamente sobre o valor cobrado ao motorista e, no caso da gasolina, teve correções que elevaram em centavos o custo final do combustível.
O ICMS é definido pelos estados em conjunto com o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e tem sido ajustado anualmente com base em pesquisas de preço realizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ao longo do ano anterior.
Outro fator que pressiona o valor da gasolina para cima é a composição do combustível, que inclui uma proporção fixa de etanol anidro (álcool). Essa mistura é definida por lei e pelos parâmetros da cadeia produtiva, e mudanças na quantidade de álcool adicionado — seja para atender a regras ambientais, metas de biocombustíveis ou disponibilidade no mercado — podem elevar o custo de produção da gasolina.
A maior proporção de álcool na gasolina, embora tenha o potencial de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, também pode aumentar o preço nas bombas quando os custos de produção ou oferta de etanol sobem. Especialistas destacam que, mesmo quando há expectativa de que o álcool possa baratear o preço final, na prática isso nem sempre ocorre, especialmente quando há variações nos custos logísticos, na safra de cana-de-açúcar ou na própria demanda por etanol.
A alta acumulada de preços traz reflexos diretos no orçamento das famílias e empresas que dependem de transporte rodoviário. Segundo observações de proprietários de postos na região metropolitana e representantes do setor, os aumentos podem chegar até R$ 0,20 por litro, dependendo do estoque e da prática de preço de cada estabelecimento.
Para muitos consumidores, a necessidade de abastecer frequentemente — como no caso de trabalhadores que usam o carro diariamente — já começou 2026 com impacto no bolso. A variação no preço pode influenciar decisões de consumo, planejamento de deslocamentos e até a escolha entre etanol e gasolina, conforme comparativo de preço e rendimento econômico.
Com a virada do ano, o mercado de combustíveis tende a refletir não apenas as políticas tributárias estaduais, mas também as dinâmicas de oferta e demanda nos primeiros dias do ano. Acredita-se que os preços sofram ajustes adicionais à medida que as distribuidoras repassam custos recentes e eventuais mudanças na oferta de etanol são absorvidas pelo mercado.
Consumidores podem acompanhar as pesquisas de preços realizadas pelo Procon local e pela ANP, que mostram variações entre estabelecimentos e ajudam a identificar onde abastecer com melhor custo-benefício no município.
O aumento da gasolina em Bento Gonçalves reforça a atenção que o consumidor deve ter não apenas aos preços nas bombas, mas também às mudanças estruturais que influenciam sua formação — especialmente tributos e composição do combustível, dois pilares que, assim como em outras cidades do país, estão por trás da elevação dos valores no início de 2026.