Segurança Cidade mais segura
Bento Gonçalves reduz em 26,3% o número de assassinatos em 2025
Foram 28 assassinatos registrados no ano passado, contra 38 em 2024. Porém, feminicídio liga sinal de alerta..
01/01/2026 10h22 Atualizada há 3 horas
Por: Marcelo Dargelio
Trabalho unificado dos órgãos de segurança foi fundamental para a redução no número de assassinatos em Bento Gonçalves - Foto: Reprodução/Especial

Bento Gonçalves encerrou 2025 com uma redução significativa no número de assassinatos, consolidando um avanço importante na área da segurança pública. De acordo com levantamento oficial, o município registrou 28 crimes violentos contra a vida em 2025, contra 38 em 2024, o que representa uma queda de 26,3% no número de homicídios em apenas um ano.

A redução é atribuída, principalmente, ao trabalho integrado entre Brigada Militar, Polícia Civil, Ministério Público, Judiciário, Guarda Civil Municipal e forças federais, além de ações de inteligência, repressão qualificada ao crime organizado e maior presença policial em áreas sensíveis da cidade.

Apesar do resultado positivo no comparativo geral, os dados também revelam pontos críticos que seguem preocupando as autoridades, especialmente os casos de feminicídio, que continuam marcando a estatística criminal da Capital do Vinho.

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MORTOS EM BENTO GONÇALVES NO ANO DE 2025

 JANEIRO – 4 mortes

2 - Júlio Cezar Silveira Oliveira, de 41 anos, Bairro Maria Goretti

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4 - Bruno de Oliveira, de 34 anos, Bairro Progresso

5 - Leonardo de Souza Garcia, de 26 anos, Bairro Ouro Verde

29 - Doralício da Silva Nunes, de 67 anos, Bairro Jardim Glória

FEVEREIRO – 2 mortes

9 – Luis Fernando Tunes Andrade, de 36 anos, Bairro Ouro Verde

25 - Carlos Roberto Rodrigues, de 62 anos, Bairro Juventude

MARÇO – 3 mortes

7 - Sandra Letícia de Carli, de 46 anos, Bairro Vinosul

17 - Kauana Larissa Padilha Pinto, de 19 anos, Bairro Zatt

29 - Érica Garcês de Oliveira, de 31 anos, Bairro Juventude da Enologia

ABRIL – 1 morte

18 - Jane Cristina Montiel Gobatto, de 54 anos, Bairro Santa Rita

MAIO – 1 morte

3 – Paulo Roberto Duarte, Penitenciária Estadual de Bento Gonçalves, Barracão

JUNHO – 2 mortes

15 - Reginaldo Cassiano da Costa Junior, de 44 anos, Bairro Ouro Verde

21 – Anderson Ribeiro, de 31 anos, Bairro Municipal

JULHO – 2 mortes

27 – Damião Bezerra dos Santos, 47 anos, Bairro Universitário

29 – Leonardo Felipe Reis da Silva, 26 anos, Bairro Ouro Verde

AGOSTO – 5 mortes

6 – Matheus Ferreira Martins, de 16 anos, Bairro Zatt

11 - Rodrigo e Silva Carvalho, de 26 anos, Bairro Municipal

17 – Evanilson Lima Ferreira, 36 anos, Santa Marta

25 – Vinicius Cabeleira, 21 anos, Eucaliptos

26 – Antônio Adriano Vieira, 36 anos, São João

SETEMBRO – 4 mortes

25 - Mateus Mikoloicezok, 48 anos, Bairro Maria Goretti

28 - Eduardo Menezes dos Santos, de 17 anos – Bairro Vila Nova

       Pedro Henrique Cortes Malfatti, de 19 anos – Bairro Vila Nova

       Alexsandro Morais Teodoro, de 21 anos – Bairro Vila Nova

OUTUBRO – Nenhuma morte

NOVEMBRO – 3 mortes

6 - Deynis Del Jesus Hernandez Valdez, de 15 anos - Bairro Jardim Glória

16 - Jonatan Felipe Ferrão, 38 anos – Bairro Municipal

16 - Maicon Luiz Salvador da Costa, 25 anos – Bairro Conceição

DEZEMBRO - 1 morte

27 - Gustavo SAbino, 44 anos - Bairro Juventude da Enologia

 

Onde a violência mais se concentrou

A análise dos dados de 2025 mostra que alguns bairros concentraram maior número de homicídios:

O Ouro Verde aparece como o bairro mais violento do ano, concentrando quase 18% dos assassinatos registrados em 2025, seguido pelo Bairro Municipal e Vila Nova, que também figuram historicamente entre as áreas de maior vulnerabilidade social.

Meses mais violentos de 2025

O comportamento da criminalidade ao longo do ano foi irregular, com picos bem definidos:

Chama atenção o fato de outubro não ter registrado nenhum homicídio, um dado considerado atípico e visto internamente pelas forças de segurança como reflexo direto das operações preventivas e repressivas realizadas naquele período.

Perfil das vítimas: idade média e extremos

O levantamento também permite traçar o perfil etário das vítimas em 2025:

Os dados reforçam que a violência letal atinge majoritariamente jovens e adultos em idade produtiva, aprofundando impactos sociais, familiares e econômicos para a cidade.

Feminicídios: queda geral não apaga tragédias

Mesmo com a redução no número total de assassinatos, a violência contra a mulher segue como um dos principais desafios de segurança pública em Bento Gonçalves. Em 2025, duas mulheres foram assassinadas por companheiros ou ex-companheiros, caracterizando feminicídios.

Os crimes ocorreram nos bairros:

Os casos reforçam que, embora o enfrentamento ao crime organizado e aos homicídios relacionados ao tráfico tenha avançado, a violência doméstica e de gênero ainda exige políticas mais firmes, prevenção contínua e respostas rápidas do Estado.

Trabalho conjunto e vigilância permanente

Autoridades de segurança avaliam que a redução de 26,3% nos assassinatos é resultado direto de:

No entanto, o cenário também reforça que nenhum avanço é definitivo. A dinâmica da criminalidade exige atenção permanente, sobretudo em bairros com histórico de violência e no enfrentamento aos crimes contra mulheres.

Avanço que precisa ser consolidado

A queda nos homicídios em 2025 representa uma vitória institucional e coletiva, mas também um alerta: a segurança pública é um processo contínuo. Para 2026, o desafio de Bento Gonçalves será manter a tendência de redução, aprofundar ações preventivas e enfrentar com mais rigor a violência doméstica, para que a estatística não esconda tragédias silenciosas dentro dos lares.

Bento mostrou que é possível reduzir a violência. Agora, o desafio é não recuar.