Uma operação integrada entre as forças de segurança resultou, neste sábado (29), na prisão de dois integrantes de um grupo criminoso responsável por extorsões, ameaças e ataques incendiários contra revendas de veículos em Bento Gonçalves. Os suspeitos — um homem de 31 anos, detido em Nova Roma do Sul, e uma mulher de 45 anos, presa em Caxias do Sul — foram identificados como administradores dos números de WhatsApp usados nas mensagens de intimidação enviadas a empresários do setor.
Segundo a investigação conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia, os crimes começaram em maio, quando uma revenda foi alvo de disparos de arma de fogo após o proprietário se recusar a efetuar pagamentos exigidos pelos criminosos. As mensagens afirmavam que o grupo integrava uma facção criminosa e ameaçavam atirar, incendiar ou destruir estabelecimentos caso os valores não fossem repassados.
Em novembro, a quadrilha voltou a agir com violência ainda maior. Nos dias 25 e 26, empresários receberam novas ameaças, e duas revendas foram atacadas com coquetel molotov. No ataque do dia 25, dois veículos e uma vidraça foram danificados. No dia 26, outras lojas foram novamente alvos de artefatos incendiários. A Polícia Civil confirmou que todos os crimes foram arquitetados pelos mesmos autores.
A operação deste sábado envolveu um amplo aparato policial, incluindo:
Polícia Civil (1ª e 2ª DPs de Bento Gonçalves)
Brigada Militar (3º BPAT, Força Tática, ROCAM, Agência Local e Regional de Inteligência – CRPO Serra)
GAECO/Serra
Guarda Civil Municipal
Secretaria Municipal de Segurança
Corpo de Bombeiros Militar
PRF, Polícia Penal e IGP de Caxias do Sul
Durante os ataques da semana, o número de viaturas nas ruas foi ampliado para evitar novos incidentes e garantir a segurança da população.
O comandante do 3º BPAT, Tenente-Coronel Chesani, agradeceu aos veículos de imprensa pela responsabilidade em não divulgar informações sensíveis durante a operação, o que, segundo ele, contribuiu diretamente para o êxito das prisões.
Na terça-feira (25), uma revenda localizada na Rua Humberto de Alencar Castelo Branco, no bairro Licorsul, teve uma vidraça e dois veículos danificados. No dia seguinte, outra loja foi atacada, mas não houve danos aos automóveis. Os casos reforçaram a necessidade de intervenção rápida.
As provas reunidas apontam que os presos eram os responsáveis por gerar e operar os números usados para extorsão. O homem, de 31 anos, possui diversos antecedentes criminais, incluindo tentativa de homicídio, extorsão, roubo qualificado, tráfico de drogas, incêndio e receptação. A mulher, de 45 anos, não possui antecedentes, mas atuava diretamente no esquema criminoso.
Com as prisões, as forças de segurança avançam para identificar e prender os executores diretos dos ataques — responsáveis por disparos e incêndios registrados em maio e novembro.
A Polícia Civil destacou ainda que o sistema de videomonitoramento da Prefeitura de Bento Gonçalves foi fundamental para reunir elementos que permitiram o avanço rápido das investigações.
A Brigada Militar anunciou uma coletiva de imprensa na próxima segunda-feira, às 10h, na sede do 3º BPAT, para apresentar mais detalhes sobre a operação, as provas coletadas e os próximos passos da investigação.