Saúde Milagre da vida
Médicos realizam cirurgia cardíaca em feto de 29 semanas no RS
Procedimento inédito foi realizado no Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre.
29/11/2025 08h43 Atualizada há 2 horas
Por: Marcelo Dargelio Fonte: Reprodução/Especial
Reprodução/Especial

O Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, realizou, no dia 29 de outubro, uma cirurgia cardíaca em um feto de 29 semanas, marcando um feito inédito na instituição. O procedimento foi necessário devido à atresia de valva pulmonar, uma malformação que poderia comprometer o desenvolvimento do lado direito do coração do bebê, levando a uma condição conhecida como hipoplasia do ventrículo, que impede o envio adequado de sangue para os pulmões. O sucesso do procedimento foi divulgado somente nesta sexta-feira, 28, 30 dias após o procedimento.

O diagnóstico foi feito após a gestante, Jéssica Peruzzo, realizar um exame morfológico. "Foram semanas de fé, preparo e esperança até o dia da operação", relata Jéssica, que destacou o acolhimento e a confiança transmitidos pela equipe médica. Sem a intervenção, o bebê enfrentaria riscos significativos de complicações após o nascimento, exigindo cirurgias complexas para corrigir a malformação.

A cirurgia, que contou com a participação de obstetras, cardiologistas intervencionistas e um anestesista, foi realizada por via percutânea. A equipe médica introduziu uma agulha através da válvula fechada, permitindo a passagem de um cateter que restabeleceu o fluxo na artéria pulmonar. Esse procedimento é crucial para o desenvolvimento adequado do coração do feto, segundo os especialistas.

Após a cirurgia, Jéssica apresentou boa recuperação, e os ultrassons subsequentes mostraram que o problema foi resolvido. "Com melhores perspectivas e menor risco no futuro", afirma a mãe, que enfatiza a importância dos exames cardíacos durante a gestação. Ela acredita que o diagnóstico precoce pode salvar vidas, como foi o caso de sua filha.

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A atresia de valva pulmonar é uma condição em que a válvula não se desenvolve corretamente, dificultando o fluxo de sangue do ventrículo direito para a artéria pulmonar. Isso pode resultar em um sangue com baixo teor de oxigênio, levando a sintomas graves, como cianose e dificuldades respiratórias. O tratamento geralmente envolve medicamentos e cirurgias para criar rotas alternativas para o fluxo sanguíneo.

Por sua vez, a hipoplasia do ventrículo direito é uma cardiopatia congênita rara que resulta em um desenvolvimento inadequado do ventrículo direito, podendo afetar outras estruturas cardíacas. O sucesso desta cirurgia no Hospital Moinhos de Vento representa um avanço significativo na medicina fetal e uma nova esperança para gestantes que enfrentam diagnósticos desafiadores.