O Hemocentro do Rio Grande do Sul (Hemorgs), vinculado à Secretaria da Saúde (SES), está modernizando o armazenamento do excedente de plasma, componente do sangue que pode ser utilizado na produção de medicamentos essenciais. O serviço já recebeu cinco novos freezers enviados pelo Ministério da Saúde, capazes de atingir temperaturas de até -30°C, garantindo maior segurança e qualidade no processo.
A superintendente estadual do Ministério da Saúde, Maria Celeste da Silva, esteve nesta sexta-feira (28/11) no Hemorgs para conhecer os equipamentos. Ela destaca que, além do hemocentro da capital, outros três serviços do Estado serão beneficiados: os hemocentros regionais de Passo Fundo e Pelotas e o Banco de Sangue do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre.
Ao todo, o Rio Grande do Sul receberá 20 equipamentos para armazenamento de plasma, em um investimento superior a R$ 3,3 milhões do governo federal. A iniciativa integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), que destina R$ 100 milhões para modernizar hemocentros em todo o país, com 604 aparelhos para 125 unidades em 22 Estados. A ação, em parceria com a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), busca ampliar em 27% a coleta de plasma, garantindo mais medicamentos de origem sanguínea e tratamentos vitais pelo SUS.
O Hemorgs foi o primeiro serviço do Estado a receber os novos equipamentos. Na segunda quinzena de dezembro, o local deve receber umblast freezer, que realiza congelamento ultrarrápido. Esse mesmo equipamento também será entregue ainda este ano aos dois hemocentros regionais. Para 2026, está previsto um novo lote para o Estado, com três freezers que chegam a -80°C e outros oito que atingem -30°C, como os já instalados no hemocentro da Capital, ampliando ainda mais a capacidade de conservação.
Modernização deve aumentar em 50% envio de bolsas à Hemobrás
De acordo com a hematologista Clarissa Ferreira, responsável técnica do Hemorgs, após o congelamento rápido, o plasma pode ser armazenado a -30°C por até dois anos. Ela também explica que cerca de 15% do plasma coletado é utilizado em transfusões. O restante, aproximadamente 85%, é congelado e enviado à Hemobrás, empresa pública que produz medicamentos derivados do sangue, como os utilizados no tratamento da hemofilia.
Em 2025, o Hemorgs encaminhou, em média, 613 bolsas de plasma por mês à Hemobrás. Com a modernização, esse número pode aumentar em até 50%, beneficiando pacientes que dependem de produtos como albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação.
O hemocentro registra cerca de duas mil doações mensais. Entre os principais demandantes está o Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre (HPS), que utiliza cerca de 450 bolsas de sangue por mês e esteve representado na visita pela enfermeira Christina Fiorini.
Novos equipamentos ao RS:
Hemocentro Regional de Passo Fundo (Hemopasso)
Hemocentro Regional de Pelotas (Hemopel)
Hospital Nossa Senhora da Conceição
Cada doação coleta cerca de 450 ml de sangue total, que é separado em três componentes principais. Desse volume, obtêm-se cerca de 270 de hemácias (a parte vermelha), usadas para repor sangue em casos de anemia, cirurgias e traumas. Outros 180 ml são o plasma (a parte amarelo-claro), empregado em transfusões e na produção de medicamentos. A terceira fração é composta por uma pequena parte de plaquetas, indicadas para pacientes com câncer ou baixa contagem dessas células.
O plasma é essencial para produzir medicamentos hemoderivados, como albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação VIII e IX, usados no tratamento de queimaduras, cirurgias complexas, deficiências imunológicas e distúrbios de coagulação, como a hemofilia. Esses medicamentos são fabricados pela Hemobrás em Pernambuco.
Texto: Ascom SES
Edição: Secom