Uma operação internacional, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio Grande do Sul (GAECO/MPRS), resultou na prisão da advogada Francismara Vasconcelos Machado, de 50 anos, condenada a 25 anos de prisão por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A captura ocorreu na terça-feira (26), na cidade do Porto, em Portugal, em uma ação da Polícia Judiciária portuguesa, com apoio da Guarda Civil espanhola e da Interpol.
Francismara foi apontada como mandante da morte do motorista de aplicativo Mateus Pereira de Campos, 33 anos, seu ex-companheiro, assassinado em setembro de 2019 em Campestre da Serra, na Serra Gaúcha. O caso chocou a região pela brutalidade: a vítima foi torturada, executada com disparos de arma de fogo e teve o corpo ocultado em uma área de matagal, onde foi encontrado 15 dias após o desaparecimento.
A prisão faz parte do Projeto Cumpra-se, iniciativa do GAECO que busca capturar foragidos da Justiça, especialmente em casos de repercussão social. O trabalho envolveu o Núcleo de Inteligência (NIMP) do MPRS, a Polícia Federal, a Interpol, o Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI) e autoridades de Portugal e Espanha.
Segundo o promotor de Justiça Raynner Sales, de Vacaria, a advogada havia deixado o Brasil em 2023 e entrou em Portugal via Lisboa. Após sua condenação no Tribunal do Júri, em 14 de agosto, promotores solicitaram ao GAECO o cumprimento do mandado de prisão. “Foram realizadas diligências até a confirmação de sua residência em um condomínio de alto padrão na cidade do Porto”, afirmou Sales.
A partir dessas informações, a 1ª Vara Criminal de Vacaria autorizou a emissão da ordem de captura internacional e manifestou interesse pela extradição, que deve ser analisada pela Justiça portuguesa.
Francismara foi condenada a 25 anos de reclusão como mandante do crime. Outro réu, Fabiano Vieira dos Santos, conhecido como Gato, recebeu 29 anos de prisão por participação direta na execução de Campos.
O crime ocorreu em setembro de 2019. O carro da vítima foi encontrado incendiado às margens da BR-116, em Campestre da Serra, no dia 28 daquele mês. Inicialmente, Francismara relatou à polícia que o casal teria sido vítima de um assalto, mas a versão foi descartada. Quinze dias depois, o corpo do motorista foi encontrado com as mãos amarradas, sinais de tortura e dois disparos de arma de fogo.
Para o coordenador do GAECO no Estado, promotor de Justiça André Dal Molin, a prisão de Francismara demonstra a efetividade da cooperação internacional no combate ao crime organizado. “O Projeto Cumpra-se reafirma que condenados por crimes graves não encontrarão refúgio fora do país. A atuação integrada garante que a Justiça seja cumprida, mesmo em casos de fuga ao exterior”, destacou.