Tecnologia Tecnologia
Brasil figura entre líderes em vazamento de dados globais
Diferentes levantamentos mostram que em um ano o país registrou aumento de 24 vezes nas violações, ocupa a liderança em vazamento de cookies e somo...
11/07/2025 12h53
Por: Marcelo Dargelio Fonte: Agência Dino

O Brasil ocupa a sétima posição no ranking global de vazamento de dados, conforme levantamento realizado pela empresa global de cibersegurança e privacidade digital Surfshark, com dados de 2024. Segundo a pesquisa, o país subiu duas posições e registrou um aumento de 24 vezes nas violações de contas em 2024, em relação ao ano anterior.

Outro levantamento global mostra o país na liderança do ranking de vazamento de cookies, com 7 bilhões de registros de usuários brasileiros encontrados na dark web. Os dados são de uma análise conduzida pela NordVPN e foram divulgados pelo portal Itforum, que também identificou Índia, Indonésia, Estados Unidos e Vietnã entre os cinco países mais afetados.

Joana Faccini Salaverry, sócia-fundadora da empresa de consultoria em compliance e segurança da informação Infolock, ressalta que o levantamento da Surfshark evidencia um padrão que vem se repetindo nos últimos anos.

Continua após a publicidade

“O Brasil figura com destaque entre os países com maior número de violações de dados, apesar de já possuir uma legislação robusta sobre o tema. Isso mostra que a existência da lei, por si só, não é suficiente para garantir a proteção”, pontua.

Para a empresária, os dados da NordVPN revelam um cenário grave que mostra a vulnerabilidade do ambiente digital brasileiro, gerado pela falta de educação digital e ausência de controles técnicos eficazes.

“O rastreamento invisível da navegação dos brasileiros está sendo coletado, compartilhado e vendido em larga escala, sem o conhecimento dos usuários e, muitas vezes, sem o controle efetivo das empresas que operam os sites”, alerta.

Continua após a publicidade

Salaverry explica que a cultura de segurança da informação é algo que precisa ser construído: “No Brasil, essa cultura ainda é incipiente, especialmente nas pequenas e médias empresas, que muitas vezes associam segurança digital a um antivírus atualizado, e não a um conjunto estruturado de políticas, treinamentos, auditorias e controles. A lacuna de conhecimento é o maior vetor de risco nesse cenário”.

Principais desafios para empresas nacionais

A empresária pontua que o ambiente de negócios brasileiro é marcado por uma complexidade regulatória que nem sempre é acompanhada por instrumentos técnicos e educacionais de apoio ao empresário. “A maioria das empresas ainda não tem clareza sobre o que, de fato, precisa ser feito para estar em conformidade, e esse é o principal desafio”.

Segundo Salaverry, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) exige um conjunto de medidas jurídicas, administrativas e técnicas, mas não apresenta um passo a passo para implementá-las. Além disso, a empresária ressalta que muitas das obrigações da LGPD são extremamente técnicas e a falta de mão de obra qualificada pode dificultar o avanço da conformidade no país.

“O resultado dos estudos são um reflexo da necessidade de um ecossistema mais integrado de conformidade, com incentivo técnico, desburocratização das exigências e parcerias estratégicas que levem soluções viáveis ao empresário brasileiro”, afirma a sócia-fundadora da Infolock.

Soluções em compliance e proteção de dados

Para a empresária, programas de compliance digital são, hoje, uma das ferramentas mais efetivas para transformar a LGPD em um desafio regulatório em um diferencial competitivo. Segundo Salaverry, o principal ganho prático é a previsibilidade, além da rastreabilidade e de ser também uma ferramenta de comunicação de confiança com o mercado.

“Eles são uma estrutura que organiza a empresa, define fluxos, delega responsabilidades e permite documentar as ações que comprovam a conformidade com a legislação, isso possibilita corrigir falhas e se defender, caso haja questionamentos externos. Empresas com políticas, responsáveis nomeados e processos padronizados transmitem segurança para clientes, fornecedores e parceiros”, declara.

De acordo com Salaverry, o investimento em cibersegurança deixou de ser uma opção para se tornar uma obrigação estratégica para empresas que lidam com dados pessoais. “Tratar cibersegurança deixou de ser opcional e passou a ser uma exigência de sobrevivência empresarial. O motivo é simples, não se trata mais de se uma empresa sofrerá uma tentativa de ataque ou vazamento, mas de quando”, salienta.

O estudo da Surfshark também revela que no quarto trimestre de 2024, o Brasil registrou 208.070.101 violações de dados, o que equivale a 97.951 incidentes para cada 100 mil habitantes. Mesmo com uma queda de 96% em relação ao trimestre anterior, o volume absoluto segue acima dos números observados no Reino Unido, Itália e Polônia.

A empresária destaca que o artigo 46 da LGPD prevê que empresas que lidam com dados pessoais precisam demonstrar, na prática, que adotam medidas técnicas e administrativas para protegê-los.

“Isso significa que, mesmo que a empresa seja vítima, ela pode ser responsabilizada se não demonstrar que tomou providências adequadas para mitigar os riscos”, explica.

Salaverry alerta ainda que o investimento em segurança é uma forma de garantir a continuidade operacional. “Um ataque de ransomware, por exemplo, pode paralisar completamente uma empresa, bloquear o acesso a sistemas essenciais e causar perdas financeiras, reputacionais e legais de proporções imprevisíveis”.

Implementar um sistema de governança de dados, uma política de backup segura e testada, um canal de denúncias seguro e independente e adotar soluções que orientem e automatizem o cumprimento da LGPD podem ser soluções tecnológicas e operacionais prioritárias para mitigar riscos de vazamento.

“O uso de controle de acesso e logs de auditoria é indispensável. A empresa precisa garantir que apenas as pessoas autorizadas acessem dados pessoais, e que haja registro dessa movimentação. Isso dificulta o acesso indevido e cria evidências em caso de incidente. Além disso, softwares de gestão de compliance, políticas automatizadas, checklists inteligentes e fluxos de atendimento a titulares otimizam medidas de conformidade”, finaliza sócia-fundadora da Infolock.

Para mais informações, basta acessar: infolock.com.br/