Economia Negócios
Inverno impulsiona oportunidades em bares e restaurantes
Com a queda nas temperaturas, negócios de alimentação fora do lar podem faturar mais ao acompanhar a mudança no comportamento do público
18/06/2025 19h05
Por: Marcelo Dargelio Fonte: Agência Dino

A próxima sexta-feira (20) marca o início do inverno, e a estação traz uma série de impactos para o setor de alimentação fora do lar. Com a queda na temperatura, há uma mudança no comportamento dos consumidores, que tendem a buscar ambientes mais acolhedores e pratos quentes.  

Para os estabelecimentos que conseguem alinhar seu cardápio e ambiente a essa demanda, o período representa uma boa oportunidade de faturamento. Em áreas onde o turismo se beneficia da estação mais fria, bares e restaurantes já encaram as alterações no movimento.  

Na cidade de Gramado (Rio Grande do Sul), destino típico para o público que procura aproveitar o inverno, o restaurante Nonno Mio já registra aumento no fluxo de clientes. Com 43 anos de história, o restaurante especializado em gastronomia italiana se prepara para a temporada com antecedência. 

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“Começamos a expandir o quadro de funcionários no final de maio, e nossa equipe aumenta em 25% para atender a essa demanda. Temos uma clientela fiel já estabelecida, e com o alto número de turistas na cidade, nosso faturamento no inverno chega a aumentar em cerca de 60%”, afirma o proprietário Felipe Andreis. 

Seguindo o impulso do Dia dos Namorados e o feriado de Corpus Christi, que fomentam o movimento no setor, as férias de inverno somam o conjunto de fatores que tornam a temporada ainda mais lucrativa. Ações voltadas para a captação de clientes reforçam as oportunidades de incrementar a receita. 

“Por sermos um restaurante com tradição, o nosso cardápio não passa por muitas alterações, mas costumamos oferecer alguns diferenciais baseados em ações conjuntas com parceiros”, explica Felipe. 

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“É feita uma nova impressão do cardápio, com evidência nos produtos destes parceiros, acompanhadas de ofertas que fomentam o consumo, como ‘compre três cervejas e ganhe a quarta de brinde.’ Já em relação à demanda, o consumo de vinho é a que mais se destaca, chegando a triplicar durante a temporada.” 

Em Santo Antônio do Pinhal (São Paulo), o restaurante Donna Pinha também aguarda com otimismo o aumento no volume de clientes. Para a chef e proprietária Anouk Migotto, este inverno promete ser ainda mais favorável para os negócios. 

“O frio é sempre nossa locomotiva de sucesso. E este ano ele está especialmente generoso, com temperaturas baixas e chegando na véspera do nosso melhor feriado”, conta. 

A chef explica que para atender à demanda, a operação é transformada nesse período, com a duplicação da equipe, a inclusão de itens sazonais no menu e a realização de ações voltadas para a experiência do público. 

“Durante o inverno aumentamos nossa carta de vinhos e servimos o nosso tradicional fondue, que os clientes amam. Os pratos que fazem mais sucesso são todos aqueles à base de queijos e também os feitos com ingredientes locais favoritos do público, como pinhões e truta”, afirma. 

Nesta época, o restaurante também fornece aquecedores e cobertores para deixar o clima mais aconchegante, tornando a experiência do cliente ainda mais prazerosa. Segundo a proprietária, a expectativa é que as ações sejam convertidas em uma alta de 20% no faturamento para o período. 

Inverno pode aliviar desafios de bares e restaurantes 

Para o setor de alimentação fora do lar, o momento pode representar um amparo em relação ao desafio no repasse de preços ao consumidor. No segmento, a inflação foi superior ao índice geral, segundo dados do IPCA de junho.  

José Eduardo Camargo, líder de Conteúdo da Abrasel, afirma que os bares e restaurantes têm conseguido recompor preços paulatinamente, considerando o atual momento e o comportamento dos consumidores.  

“Há um limite para o quanto o cliente está disposto a pagar e isso requer cautela por parte dos empresários, mas o setor tem tido condições mais otimistas. Atualmente, o cenário de pleno emprego empodera o consumidor e o reflexo é de aumento na confiança empresarial”, explica.